Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?
Enviada em 23/04/2021
A ONU promulgou, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que estabelece como direito do cidadão o bem-estar social e a moradia, entre outros fatores. Contudo, o atual cenário brasileiro reflete um contraste entre a realidade e o que é idealizado pelas leis, tendo em vista a gentrificação crescente no país, desabrigando a população de determinado local e , consequetemente, acabando com seu bem-estar. Nessa perspectiva, é necessário que essa contradição entre o direito de cidadão e a realidade do mesmo seja desestruturada,reduzindo essa problemática social,levando em consideração sua influência em demais mazelas,como a marginalização.
Precipuamente, é válido ressaltar que o interesse econômico das empresas tem relação direta com esse desconserto social. A Revolução Industrial, no século XVIII, que tinha interesse na mecanização das fábricas e no lucro, acarretou infortúnios que perduram até hoje e corroboram para a que a verdadeira cidade não seja para todos. Com o crescimento desenfreado das cidades, a população foi marginalizada e problemas de ordem social foram desenvolvidos, como a miséria, a violência e a fome, além de dividir a sociedade em dois polos, um da burguesia e outro dos proletariados. Diante disso, percebe-se que o processo de gentrificação vivido pelo Brasil é antigo e tem raízes históricas, necessitando de mudanças significativas para que a igualdade seja possível como reparação social.
Ademais, essa mácula social permite ser relacionada com a atuação mínima por parte do Estado. A falta de atenção das autoridades com a esfera social corroboram para o agravamento das consequências que a segregação das cidades gera. A título de exemplo, estão cidades brasileiras em topos de rankings de violência, como ocupações do Rio de Janeiro e de Fortaleza. A construção de edifícios e pontos comerciais, valorizam as regiões e afetam a população de baixa renda local, dificultando a permanêcia de antigos moradores, causando a substituição de pequenos estabelecimentos e antigas residências. Dessa forma, há a enfatização da construção de áreas marginalizadas e esquecidas pelo governo, com precárias prestações de serviço público, dentre outros problemas acarretados.
Destarte, medidas devem ser tomadas para atenuar essa mazela.A fim disso, o Governo deve, vide o Ministério da Cidadania, garantir o direito do cidadão à moradia digna, por meio do aprimoramento de programas sociais como o já existente, Minha Casa, Minha Vida, inserindo a população marginalizada nos centros e não mais nas margens das cidades. Além disso, as empresas, públicas e privadas, podem garantir um melhor retorno financeiro e social àqueles moradores pertencentes às áreas modificadas por elas, proporcionando propostas de trabalho e da própria moradia.