Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?
Enviada em 23/04/2021
No período conhecido como revolução industrial, o Romantismo literário expõe uma de suas maiores características: o escapismo. A fuga da cidade para o campo e a valorização da natureza evidenciam um problema que se perpetua até hoje, estimulando uma indagação: vida urbana no século XXI: A cidade é para todos? Como observado a partir do viés histórico, a cidade não é para todos, mas, para aqueles que a monopolizam: a burguesia.
O êxodo rural, promovido em detrimento da falta de trabalho no campo, acentuou o desenvolvimento das cidades, tornando-as um ambiente competitivo. O evolucionista Darwin, ao falar de seleção natural, a trata como sendo o domínio de indivíduos sobre outros e a supremacia de grupos. Ao notar a coexistência desses dois fatores, verifica-se a presença de um grupo dominador e um grupo dominado, que, em busca de melhores condições, disputa entre si as oportunidades de trabalho, processo no qual apenas alguns integrantes desse corpo social têm sucesso. Os desavantajados no processo entram, gradativamente, em uma situação de pobreza, sendo marginalizados.
Além desse entrave de hegemonia de um grupo sobre outro, a segregação do espaço geográfico e a valorização desigual das regiões urbanas, aliadas à globalização promovem uma alteração no dinamismo do arranjo local. “A cidade é um organismo vivo e dinâmico na disputa por melhores lugares e maior valorização”, afirma Benny Schasberg, professor da Universidade de Brasília, sobre a dinâmica intensa dos centros urbanos. Em concordância com ele, José Roberto Bassul, arquiteto e urbanista, defende que “a extensão da cidade promove o afastamento da pobreza para a periferia”, tornando a população desses ambientes, menos integrantes do corpo social dos grandes centros urbanos.
Portanto, ao perceber que a cidade não é para todos, verifica-se a importância de políticas públicas, em parceria com instituições privadas, que visem o desenvolvimento de projetos urbanísticos voltados para o problema do crescimento desordenado e da desvalorização de zonas da cidade, além de projetos de lei, propostos pelo poder legislativo que visem a regulamentação dos preços de imóveis, garantindo, assim, uma valorização homogênea da cidade e de seus habitantes.