Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?

Enviada em 23/04/2021

Fruto de um histórico de concepções distorcidas, os problemas acarretados por uma vida urbana, demonstram a gênese de uma sociedade que se despe de valores de igualdade e de respeito. Dessa forma, esse panorama perturbador aponta a inexpressividade do Poder Público quanto a garantia a equidade entre os cidadãos, bem como destaca a negligência de algumas instituições formadoras de opinião durante a construção de uma mentalidade social que valorize o coletivo.

Com efeito, é valido pontuar que para John Locke, defensor do Contrato Social, é dever do Estado garantir os direitos fundamentais de uma sociedade. Entretanto, mesmo que, em teoria, moradia, saúde e educação de qualidade, sejam assegurados pela Constituição Federal de 1988, não é unânime e diversos indivíduos são colocados à margem dessa realidade. Nesse viés, os governos de modo majoritário, assumem uma postura capitalista onde o lucro é priorizado, dessa forma, geram um cenário catastrófico para aqueles mais necessitados, no que corrobora para o não cumprimento dos direitos supracitados.

Outrossim, é fato que, o avanço das cidades e a sociedade urbana mesmo sendo muito positiva em diversos pontos onde, desde a primeira revolução industrial ocorrida a partir do século XVIII, vem trazendo melhorias de vida,  torna o poder monetário o foco social, enraizando um pensamento individualista onde aqueles que não conseguem esse poder, são tratados de forma hostil e visto como descartáveis. Essa óptica, defronta o pensamento de Levinas, no qual, o filósofo contemporâneo enfatiza que a preocupação com o outro deve fazer parte da lógica cotidiana.

Portanto, fica exposto que a desconstrução de valores e de costumes é moldada sob a égide da individualidade. Logo, urge ao governo em conjunto com a sociedade, unir-se a ONGs que dão apoio para comunidades carentes, e diminuir os impostos que atingem as pequenas empresas, em busca de assegurar uma condição de vida e gerar empregos para o amparo dessas pessoas. Assim, poder-se-á garantir o Contrato defendido por Locke, como também, alcançar a alteridade de Levinas.