Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?

Enviada em 25/08/2021

Desigualdade socioespacial é o termo da geografia que designa a segregação sofrida por moradores de regiões distantes das oportunidades oferecidas pelos centros urbanos. Infelizmente, esse tipo de desigualdade é comum na realidade brasileira, o que permite que apenas uma parcela da população usufrua dos diversos benefícios das cidades. Esse cenário é causado, principalmente, pela urbanização não planejada no Brasil e, consequentemente, gera não só o aumento da desigualdade no país, mas também a falta de acesso aos serviços essenciais que são direitos dos brasileiros.

Nesse contexto, o maior causador da desigualdade socioespacial no Brasil é a urbanização não planejada. Isso porque em 1960 houve no Brasil um intenso do êxodo rural, visto que nesse período realizou-se um investimento industrial nas cidades brasileiras, que as tornaram atrativas aos pequenos proprietários de terras e aos trabalhadores rurais, que buscavam trabalho assalariado e melhores condições de vida. Essa situação gerou uma necessidade repentina de estruturação das cidades, que sem planejamento mantiveram nos centros o foco das ações políticas. Por corolário, as regiões periféricas tornaram-se locais de baixo acesso aos serviços públicos básicos.

Por conseguinte, essa realidade causa aos cidadãos brasileiros diversas dificuldades de acesso aos serviços essenciais que são seus direitos. Essa conjuntura pode ser vista no livro “Quarto de despejo”, de Maria Carolina de Jesus, ao qual recebe esse nome porque a autora, ao relatar sua vida como favelada, compara as periferias aos quartos de despejos e os centros urbanos às salas de estar, visto que essas sempre recebem mais atenção que aqueles. Ademais, ao escrever sobre a sua realidade Maria Carolina conta como diversas vezes foi privada de seus direitos como o do acesso à saúde, à educação e à cultura por viver longe dos centros urbanos que tinham maiores investimentos nessas áreas.

Portanto, torna-se necessária a criação de medidas que visem à igualdade de acesso aos benefícios das cidades a todos os cidadãos brasileiros. Para isso, o Congresso Nacional, por meio da elaboração do orçamento públco, deve viabilizar recursos para investir no planejamento urbano das regiões mais afastadas, a fim de fornecer a população periférica locais adequados para usufruirem integralmente de seus direitos. Ademais, a sociedade cívil em parceria com organizações não governamentais, focadas nas causas da população suburbana, devem criar projetos populares que tenham por objetivo levar lazer e cultura para essa comunidade, por meio de uma programação anual com shows populares, sessões de cinema ao ar livre e práticas esportivas guiadas por voluntários aptos. Tudo isso a fim de fomentar a igualdade em todos os ambientes da cidade.