Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?
Enviada em 02/09/2021
Com o advento da Revolução Industrial, a população rural começou a se deslocar para os centros urbanos em busca de trabalho, fenômeno conhecido como êxodo rural. De modo análogo, hodiernamente, pessoas saem de suas cidades para irem em busca de melhorias nos grandes centros urbanos, no entanto, o viver na cidade apresenta diversos desafios, sobretudo, para a população de classe pobre que vive em locais periféricos. Nesse contexto, cabe analisar a vida urbana e suas características no século XXI.
De inicio, vale ressaltar a desigualdade socioespacial nos centros urbanos. Nessa perspectiva, é pertinente citar as ideias do antropólogo Darcy Ribeiro, o qual assevera, que “O Brasil, último país a acabar com a escravidão, tem uma perversidade intrínseca a sua herança, que torna nossa classe dominante enferma de desigualdade, de descaso”. Com base nisso, interpreta-se que o país se originou com a classe rica se fixando nos melhores locais das cidades enquanto a classe pobre se assentava em cortiços, favelas, sem direitos a moradias seguras e estáveis. Dessa forma, aqueles que possuem boa posição financeira podem se locomover com facilidade, ter direitos a saneamento básico e saúde mais acessível enquanto a população vulnerável financeiramente - por viverem em locais precários- são privados de direitos básicos, refletindo desigualdade e segregação das pessoas no meio social.
Outrossim, importa discutir a ocupação desordenada das cidades e as consequências dessa macrocefalia na vida da população. Nesse viés, é importante mencionar que a cidade de São Paulo, por ser um centro urbano muito habitado, muitos dos seus habitantes que moram em favelas, encostas e morros enfrentam colapso ambiental no período de inverno, pois pela superlotação, as águas das chuvas não tem escoamento necessário, o que ocasiona alagamentos, derrubamento de árvores, destruição ambiental e de bens pessoais. Logo, a qualidade de vida de muitos moradores é diretamente afetada pois esses perdem seus utensílios domésticos, roupas, bem-estar, além da dificuldade de se mobilizar a caminho do trabalho. Infere-se, assim, que o viver na cidade não é proveitoso a todos.
Diante do exposto, medidas são necessárias para tornar a vida na cidade favorável para a população geral. Para isso, as Secretarias Nacionais de Habitação e Saneamento, devem, juntas, realizar um projeto de melhoria da infraestrutura das moradias urbanas em locais precários, por meio de reformas e a realocação daquelas famílias que moram em locais com risco ambientais para locais seguros. Ademais, investir em saneamento básico, para garantir uma melhor qualidade de vida a população. Tal ação terá o intuito da população vulnerável ter acesso a direitos básicos e bem-estar, além de certificar menores desigualdades sociais presentes na vida urbana.