Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?
Enviada em 03/09/2021
Segundo Karl Marx, " a desvalorização do mundo humano aumenta de forma direta a valorização do mundo das coisas “. Consoante ao pensamento do autor, ao analisar a atual conjuntura da sociedade brasileira, vale mencionar que em contraposição à imensa riqueza econômica gerada nas últimas décadas, tem-se a perduração de um problema secular: a desigualdade social. Nesse sentido, nota-se que as principais causas na manutenção dessa problemática são a concentração de renda e a ausência de políticas públicas eficazes, tendo em vista que os centros urbanos evidenciam que a vida na cidadade é restrita para poucos.
A princípio, deve-se ponderar que o Brasil tem a segunda maior concentração de renda do mundo. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o país tem 29% da riqueza pertencente a apenas 1% da população. Nessa perspectiva, é importante ressaltar que tal apropriação de riqueza ocorre em detrimento da desvalorização do ser humano, de modo que a maior parcela da sociedade encontra-se submetida a um modelo econômico insustentável, pois a elevação dos custos de vida associada a estagnação dos salários inviabilizam uma vida digna nas cidades. Assim sendo, a maioria dos cidadãos situam-se desamparados, dado que a realidade apresenta-se contrária ao sonhos de muitos que no passado deixaram o campo na perspectiva de uma vida melhor.
Ademais, vale salientar que a ideologia neoliberal, predominante no cenário político, contribui para o agravamento das óbices sociais. Outrossim, tal corrente de pensamento pauta-se na obstrução do Estado, haja vista a crença em uma espécie de darwinismo social, fenômeno oriundo do século XIX, que consiste na não realização de políticas públicas, com o objetivo de permitir que os " melhores " ascendam socialmente a partir do mérito. Dessa maneira, a omissão da máquina pública possibilita o agravamento de problemas inerentes ao sistema capitalista, como o acúmulo de riquezas e a exploração das massas, de forma a expropriar as camadas menos privilegiadas dos centros urbanos.
Portanto, a falta de perspectiva para obtenção de uma vida digna nas cidades assola a classe trabalhadora no Brasil, sendo imprescindível que medidas sejam tomadas pelo poder público. Para tanto, é imperioso que o Governo Federal junto ao Congresso Nacional aprovem projetos de lei que promovam a distribuição de renda, por meio de uma reforma tributária, assim como auxílios governamentais para redução dos custos de vida. Além disso, é de extrema valia que o Governo Federal aliado ao Ministério da Economia combatam à informalidade, com o intuito de aumentar os salários e garantir a assistência social, mediante elevação do salário mínimo e redução dos encargos trabalhistas para o pequeno e médio empregador, em prol de fomentar o trabalho formalizado.