Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?

Enviada em 19/09/2021

No início do século XX, o Brasil passou por uma descontrolada urbanização, que resultou, por falta de planejamento, em uma explosão demográfica nas metrópoles. Atualmente, o advento das cidades formadas nesse processo trouxe, atrelado a si, um dos mais graves problemas da vida urbana no século XXI: o acesso antidemocrático às urbes. Essencialmente, tanto o fenômeno da gentrificação quanto a lógica capitalista do mercado imobiliário sustentam essa conjuntura.

Nessa perspectiva, a gentrificação, explicada pelo geógrafo Milton Santos, limita as cidades à classe abastada do país. Segundo esse pensador, o processo de modernização e a criação de uma infraestrutura voltada para os ricos expulsam a população pobre, ainda que veladamente, do espaço urbano. Isso, porque essas pessoas não possuem renda compatível com a nova configuração das cidades, caracterizadas por exemplo, por “shopping centers”, teatros e museus – espaços inacessíveis ao corpo social pobre, tendo em vista a impossibilidade frequente de pagar por tais privilégios. Assim, as urbes se tornam elitizadas, afastando parcela da população para as áreas periféricas.

Ademais, o direito à cidade, postulado por Henri Lefebvre, filósofo francês, é tolhido pelo sistema capitalista. Sob essa ótica, a lógica de mercado do setor imobiliário, regida pela busca intermitente pelo lucro, estipula preços gravemente altos para as residências, tornando-se caro morar em uma cidade modernizada. Nesse quadro, a população de renda baixa é obrigada a residir em zonas afastadas dos grandes centros, o que reforça a desigualdade de acesso à cidade. Dessa forma, as vantagens da vida urbana, como a maior disponibilidade de empregos, não são estendidas a todos, fazendo-se necessária uma intervenção.

São prementes, portanto, medidas que tornem as cidades mais acessíveis. Para tanto, cabe ao governo, com o auxílio do Ministério da Fazenda, idealizar o Auxílio Cidade, voltado somente às pessoas de baixa renda. Tal medida deve ser realizada por meio de Parcerias Público- Privadas (PPP), a fim de possibilitar o acesso da população vulnerável economicamente à infraestrutura citadina. Concomitantemente, órgãos fiscalizadores municipais têm de regular, por intermédio de proibição de venda - caso seja necessário-, os preços dos imóveis à venda. Dessa maneira, as cidades brasileiras se tornarão mais democráticas, superando a descontrolada urbanização ocorrida no século passado.