Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?

Enviada em 15/11/2021

Na Grécia Antiga, a organização da sociedade se baseava nas Pólis: cidades-estado que serviam de espaço para discursões políticas dos detentores de poder e deixava os não cidadãos em segundo plano nessa representação. Nesse sentido, o que observa no Brasil contemporâneo é semelhante as Pólis gregas, haja vista que as cidades não são inclusivas, já que há uma segregação espacial, bem como a desigualdade social que afasta os habitantes. Dessa maneira, é importante analisar essa problemática.

Em primeiro plano, a urbanização brasileira apresenta aspectos negativos. Nesse contexto, durante o regime feudal, no século X, a sociedade era organizada em burgos, espécies de moradias próximas ao palácio e longe dos camponeses, ou seja, a formação desestruturada da sociedade no passado apresenta suas raízes no presente da urbanização do Brasil, na qual moradores de baixa renda têm alcance à residências precárias e distante das localizações “burguesas”, o que enfatiza a segregação espacial e forma cidades cada vez mais incongruentes com seus próprios habitantes, já que os pobres vivem nas periferias e não têm acesso aos ambientes da alta hierarquia. Logo, é infeliz a divisão social de um mesmo grupo que convive em uma mesma região.

Outrossim, é dever do Estado garantir o bem-estar da população. Sob esse ponto de vista, a Constituição Federal de 1988 garante o acesso ao lazer e à segurança como direitos dos cidadãos, no entanto, isso não ocorre na prática. Nesse viés, o que se nota na sociedade brasileira são as demasiadas desigualdades, refletidas na organização das cidades e que são derivadas principalmente pela falta de aplicação das leis -que propõem a isonomia entre todos-, uma vez que as classes baixas estão expostas à violência pela falta de policiamento nos subúrbios, enquanto os condomínios recebem fiscalização diária da segurança, além da disponibilização de áreas de diversão -como academias, por exemplo-, livres de qualquer tipo de hostilidade. Assim, é inaceitável a omissão do Estado na resolução desse problema.

Portanto, é necessária a criação de medidas para contornar essa situação no Brasil. Igualmente, cabe ao governo federal, em parceria com a Secretaria Nacional de Desenvolvimento Urbano, por meio de cotas governamentais, a criação de um planejamento territorial, que abranja a construção de praças públicas nos centros das cidades - com a disponibilização de bicicletas e equipamentos de treinamento físico gratuitos-, com o objetivo de proporcionar maior união e interação das populações nos meios urbanos. Assim sendo, a discriminação que ocorria na Pólis não se repetirá no Brasil.