Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?
Enviada em 13/05/2022
A industrialização brasileira, que remete à primeira metade do século XX, durante a Era Vargas, foi marcada pelo processo de urbanização heterogênea. Apesar de datar séculos passados, tal característica pode ser associada à sociedade brasileira hodierna, na qual configura um caótico cenário de gentrificação excludente em vários pontos do país. Assim, uma discussão acerca da desigualdade social e da omissão estatal é fundamental.
A princípio, é válido destacar a discrepância entre classes como peça-chave do problema, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tal ocorrência. Posto isso, conforme o maior expoente do Naturalismo brasileiro, Aluísio Azevedo já expunha, em sua obra “O Cortiço”, as condições supressivas em que vivem muitos brasileiros, sobretudo aqueles que vivem em vulnerabilidade social. Sob essa ótica, sendo a obra uma mera reprodução da realidade, a segregação social perdura sobre o território brasileiro, excluindo os indivíduos das camadas inferiores do acesso à locais elitizados e modernos. Com isso, é preciso descontruir o impasse da desigualdade estrutural.
Ademais, torna-se crucial apontar a inoperância estatal e o seu impacto. Acerca disso, conforme afirmou o renomado sociólogo francês Émile Durkheim, é dever do Estado gerenciar questões do progresso coletivo. A máxima do intelectual, todavia, se destoa da realidade, fato que se materializa na irrisória quantidade de capital direcionada à implementação socioespacial de cidadãos de baixa renda à zonas de espectro desenvolvido, resultando em marginalização dessa parcela do tecido social. Logo, a displicência da máquina pública fere os princípios pontuados por Durkheim e, ao mesmo tempo, inviabiliza a gentrificação inclusiva e homogênea.
Infere-se, portanto, a necessidade de mitigar a problemática associada a vida urbana atualmente não ser para todos. Para tanto, cabe ao Poder Legislativo, órgão executor das leis que orientam a sociedade, implementar normas que limitam preços de aluguéis e liberam potenciais construtivos em locais já valorizados, por meio da criação de decretos, para que a construção de habitações seja ampliada e assim, a inclusão social ocorra. Assim, o panorama da industrialização na Era Vargas se afastará da atual realidade brasileira.