Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?

Enviada em 12/10/2023

Na obra “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade perfeita, a qual é caracterizada por ser sem mazelas sociais. Ademais, esse ideal está longe de se concretizar. Visto que, na vida urbana do Brasil existem mazelas sociais como o desenvolvimento urbano desigual e as barreiras física e de acessibilidade que corrompem uma cidade para todos.

Em primeira análise, um desenvolvimento urbano desigual, com investimentos concentrados em determinadas áreas em detrimento de outras, pode criar disparidades significativas na qualidade de vida. A exemplo disso, vê-se as grandes periferias, que ficam afastadas dos centros urbanos, abrigando pessoas de baixa renda. Por sua vez, as periferias são frequentemente descritas por atributos negativos: violência, pobreza, insegurança, infraestrutura urbana precária. Conforme o relatório da ONU(Organização das Nações Unidas), o Brasil tem 2ª maior concentração de renda do mundo, em outras palavras, quase um terço da renda está nas mãos dos mais ricos. Desse forma, fica evidente que essa concentração de renda causa um desenvolvimento urbano desigual.

Em segunda análise, a falta de acessibilidade para pessoas com deficiências pode limitar sua participação na vida urbana. Por exemplo, nota-se a falta de organização e recursos públicos nas ruas para pessoas com deficiências, como banheiros adaptados, rampas, elevadores e calçadas rebaixadas. Como retrata na novela “Cúmplices de um resgate”,encontrada na Netflix, onde Téo, um menino cego, sofre com falta de acessibilidade em seu vilarejo, milhares de jovens e adultos sofrem com esse problema também, dado que, de acordo com o senso de 2010, cerca de vinte e quatro por cento da população declarou ter algum grau de dificuldade ou possuir deficiência mental/ intelectual. Desse modo, a falta de disponibilidades de recursos faz com que a vida urbana brasileira no século XXI não seja para todos.

Destarte, infere-se que medidas devem ser aplicadas para a garantia do direito à cidade para todos no Brasil. Portanto, cabe ao Estado, com sua alta competência, promover redução da desigualdade de renda e adaptações estruturais para deficientes, por meio de políticas públicas, como o salário mínimo, a fim de garantir a igualdade e caminhar rumo a sociedade idealizada na obra de Thomas More.