Violência de gênero nas universidades brasileiras: como enfrentar esse problema?

Enviada em 11/09/2019

Sob a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. No entanto, quando se observa a violência de gênero nas universidades brasileiras, percebe-se que os cidadãos compõem um grupo altamente desfavorecido. Desse modo, a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela negligência governamental, seja pelo preconceito da sociedade.

Nesse contexto, é inquestionável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas da violência de gênero. Nesse diapasão, segundo o artigo 3, inciso 4, da Constituição Federal, elucida-se o dever estatal de construir uma sociedade livre, justa e solidária. Entretanto, é evidente que o Estado não cumpre o seu papel enquanto agente fornecedor de direitos mínimos, visto que, lamentavelmente, muitos jovens, encontram-se com entraves no que tange à igualdade de gênero.

Outrossim, destaca-se o preconceito da sociedade como impulsionador do problema. Sob esse viés, é possível refletir com o pensador e ativista francês Michel Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Assim, uma mudança nos valores da sociedade é fundamental para transpor as barreiras nas universidades brasileiras.

Em suma, faz-se necessárias medidas de intervenção para atenuar a adversidade. Logo, é dever do Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido nas universidades, por meio de palestras, apresentações artísticas e atividades lúdicas a respeito do cotidiano e dos direitos dos adolescentes, uma vez que ações culturais coletivas têm imenso poder transformador, a fim de que a comunidade escolar e a sociedade no geral, por conseguinte, conscientizem-se. Outras medidas devem ser tomadas, porém, conforme o poeta britânico Oscar Wilde, “O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação”.