Violência de gênero nas universidades brasileiras: como enfrentar esse problema?
Enviada em 29/10/2019
Segundo um estudo feito pelo Instituto Avon, 42% das alunas do Ensino Superior sentem medo de sofrerem algum tipo de violência na Universidade e 36% já deixaram de fazer alguma atividade por causa desse medo. Nesse sentido, no ambiente do ensino superior, várias mulheres são vítimas de diversos preconceitos, e constantemente lutam para terem voz e espaço na sociedade. A partir disso, as raízes históricas existentes e a discriminação persistente, são empecilhos para a solução do problema destacado.
A princípio, as raízes históricas auxiliam a disseminar esse problema no Brasil. Na Grécia Antiga, as mulheres eram tratadas como seres inferiores aos homens na sociedade, pois não eram consideradas cidadãs, portanto, não tinham direito ao voto, sendo submissa aos seus maridos. Dessa forma, na realidade brasileira, o pensamento machista ainda prevalece, muitos homens se acham superiores do sexo feminino e sem haver respeito, muitas vezes as tratam com violência verbal e física, afetando-as física e psicologicamente, colocando em risco o seu rendimento pessoal e profissional.
Além disso, a discriminação persistente é outro fator que auxilia a disseminar essa questão no Brasil. Muitas moças são alvos de preconceito, sofrendo hostilidades de diversas formas, como pela sua cor, raça, religião, condição monetária e até por serem do gênero feminino, que muitas vezes são desqualificadas intelectualmente por exercerem cursos que são considerados masculinos. Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), no campus da USP em Piracicaba, uma lista foi publicada por estudantes, onde as estudantes mulheres da faculdade eram “ranqueadas” de acordo com o número de parceiros sexuais que teriam tido e categorizado segundo características físicas intimas.
Fica evidente, portanto, que as raízes históricas e a discriminação existente promovem a propagação desse cenário de iniquidade. O Ministério da Educação, junto com a gestão educacional da universidade e professores, deve criar palestras e debates, para todas as idades, no intuito de informar e alerta-los desse problema tão grave que ocorre dentro e fora da faculdade, para que o respeito e a igualdade se tornem prevalentes. Ademais, os mesmos agentes devem criar setores especiais, para que haja identificação de crimes contra a mulher no ambiente acadêmico, com punições específicas, e setores para que as vítimas tenham o acompanhamento de profissionais de assistência social e psicologia. Desse modo, talvez, o problema poderá ser amenizado no país.