Violência de gênero nas universidades brasileiras: como enfrentar esse problema?
Enviada em 01/12/2019
Nas universidades, em especial as brasileiras, há ainda uma certa surpresa quando ouve-se falar em denúncias de assédio, abuso ou estupro ocorridos nesses locais, vistos por grande maioria, como locais produtores de conhecimento e de pesquisa e com a principal função de construir uma sociedade mais justa e igualitária.
De fato, causa certa surpresa porque é esperado que os indivíduos que ali estejam, docentes ou discentes, sejam pessoas que conseguiram ocupar tal vaga, por possuírem um mínimo de conhecimento e educação que os possibilitou estar naquele espaço.
Porém, esses casos ainda acontecem na sociedade, e nas universidades não é diferente, devido, praticamente à inexistência de uma educação, princialmente dos discentes, (antes de entrar para ensino superior) voltada para as discussões de gênero, sobre a história das mulheres e sobre o papel da mulher na sociedade atual. O que contribui para recorrentes casos de denúncias de abuso sexual relatados pelas vítimas em universidades, como por exemplo, os casos relatados por estudantes da Faculdade de Medicina de São Paulo, que ganhou destaque nas manchetes de jornais, em matéria disponível na revista Veja, em que entres os casos denunciando, dez são de estupro, ainda na mesma matéria, é mostrada uma investigação realizada em 86 universidades pelo Departamento de Educação do Estados Unidos e pela Polícia Federal Americana, em que na maioria dos casos de estupro, semelhante com os casos do Brasil, ocorreram em festas universitárias e utilizaram a bebida como justificativa do ato criminoso.
Portanto, se faz necessário que desde a educação básica até a superior, seja inserida na grade curricular matérias que abordem discussões de gênero e a violência contra a mulher, como também capacitações para todo o corpo docente escolar e educacional pelo Governo Federal, através do Ministério da Educação, através de Políticas Públicas assistencialistas e mais acolhedora às vítimas e punição mais rigorosa para os culpados.