Violência de gênero nas universidades brasileiras: como enfrentar esse problema?

Enviada em 02/12/2019

Em 10 de agosto o USP Mulheres juntou-se a essas comemorações com a realização de um seminário para discutir os desafios da universidade no enfrentamento da violência contra as mulheres. O tema não é alheio aos estudos acadêmicos. Desde os anos 1980 a produção científica nas universidades brasileiras contribuiu com expressiva produção de estudos e pesquisas sobre a violência contra as mulheres, ajudando na compreensão desse fenômeno em suas dimensões, causas e características. Muitos desses estudos contribuíram para a denúncia da violência como problema social, fundamentaram projetos de políticas públicas, e avaliação da forma como as instituições respondem a essa violência.

Muito recentemente as universidades brasileiras se viram obrigadas a encarar o problema também por outro ângulo: a presença da violência contra as mulheres no cotidiano da vida acadêmica. Na USP em particular, esse processo teve início em 2014, quando ocorreram as denúncias de violência sexual em festas promovidas pelos alunos da Faculdade de Medicina. A partir daquele momento as notícias de violência não pararam de surgir em outras faculdades, outros campi e outras universidades no País.

Esse novo enquadramento legal para a violência de gênero tem tornado possível reconhecer que comportamentos misóginos e machistas estão presentes no dia a dia das mulheres, expressos das formas mais brandas dos assobios e piadinhas com conotação sexual às mais graves das agressões físicas, sexuais e dos feminicídios. São comportamentos que por sua recorrência e intensidade formam um amplo espectro de violações aos direitos das mulheres e que as atingem pelo fato de serem mulheres. Dessarte, mediante o exposto, torna-se indubitável a urgência de medidas que venham mitigar tal situação. Para tanto, é interessante que os diretórios acadêmicos – responsáveis pela intermediação entre alunos e órgãos de representação geral – em parceria às reitorias das universidades, trabalhem no enrijecimento das normas que regem o tema violência de gênero.

Desse modo, por meio do aumento da fiscalização e da punição daqueles que cometem práticas do tipo, é possível garantir academicista saudável para todas as mulheres. Ademais, é de grande valia que os setores audiovisuais das universidades promovam cartazes que, espalhados pelas salas e blocos das faculdades, preguem a demonização e a coibição dessa violência, assegurando, assim, o fim de repulsivos atos machistas.