Violência de gênero nas universidades brasileiras: como enfrentar esse problema?
Enviada em 02/12/2019
A Constituição brasileira prevê igualdade de gênero em todas as esferas da vida social, entretanto esse preceito teórico não é colocado em prática em diversas situações de cotidiano de milhares de mulheres brasileiras, sendo que parte delas ocorre dentro do ambiente universitário. Nesses locais, além do machismo e da objetificação do corpo feminino, as mulheres podem ainda sofrer com os estereótipos de incapacidade intelectual, o que leva à violência de gênero e à chamada fuga de cérebros.
Segundo uma pesquisa realizada pela revista “Veja”, 42% das estudantes que foram entrevistadas, já sentiram medo de sofrer violência no ambiente universitário e 36% delas já deixaram de fazer alguma atividade pelo mesmo motivo. Visto isso, é notório que essas jovens estão mais propensas ao desenvolvimento de alguma patologia psicológica acarretando em um isolamento social que poderá atrapalha-las no processo de evolução intelectual, paradoxalmente, em um ambiente que as oferta o oposto.
Ademais, esse problema é agravado quando jovens que sofreram abuso são desmotivados, muitas vezes, pela própria reitoria da faculdade - como mostra o estudo da revista “Veja”. Além disso, muitos campos estudantis não possuem iluminação e nem segurança adequada para os seus alunos. Portanto, esse impasse não é somente ideológico, mas também, estrutural.
Além disso, num país dito democrático e igualitário, a situação enfrentada por mulheres nas Universidades brasileiras, tais como estupro e a violência física em si, assemelham-se a de países totalmente retrógrados no sentido de igualdade de gênero, tais como os dominados por fundamentalistas islâmicos. Como aponta a obra “Livreiro de Cabul”, a mulher no Afeganistão não tem voz e convive com a desigualdade institucional. Em comparação, embora no Brasil haja garantia legal de igualdade, na prática ela está longe de ser conquistada. Essa conjuntura, ademais, acaba por gerar o fenômeno conhecido como “fuga de cérebros”, isto é, mulheres capacitadas acabam por deixar o país em busca de um local onde possam exercer sua formação, livres do preconceito e da violência.