Violência de gênero nas universidades brasileiras: como enfrentar esse problema?
Enviada em 02/12/2019
Desde os primórdios da humanidade, a figura feminina sempre apresentou-se submissa a figura masculina, dotada de comportamentos de índole autoritária e opressora. Esta construção social e histórica fez surgir determinadas estruturas dentro da sociedade, em que as mulheres apresentam-se a mercê das expectativas dos homens, sujeitas ao sofrimento de violência ao não corresponderem com o esperado.
Em razão de preconceitos e estereótipos a cerca do assunto, as mulheres são menosprezadas no meio acadêmico, por serem julgadas menos capazes, pelo seu gênero. Como se o julgamento de inferioridade já não fosse suficiente para dificultar a vida destas mulheres nas universidades brasileiras, outro recorrente crime que é cometido é o assédio (ou até mesmo, estupro). É evidente que devem ser tomadas providências diante de tais fatos, porém por motivos de constrangimento para realizar a denúncia, cultura de impunidade no Brasil ou até mesmo ameaças, não existe atualmente um sistema jurídico suficientemente punitivo aos homens que cometem estes crimes.
Apesar das mulheres terem conquistado o direito de poderem ter acesso a educação, até os dias de hoje, sua inclusão é dificultada pelos riscos que apresentam estar exposta em um ambiente em que se encontre isolada e julgada pelos demais. Foi somente no final do século XIX em que as primeiras concessões foram realizadas, e as mulheres começaram a serem aceitas em escolas e faculdades, porém a falta de incentivo e violência que estão sujeitas as impede de efetivamente exercer seu direito constitucional.
A filósofa, intelectual, ativista e escritora feminista Simone Beauvoir chegou a citar que as conquistas feitas pelo movimento feminista, na realidade, foram apenas concessões masculinas a respeito dos anseios e exigências femininas, e isso explicita a dependência de aprovação existente das mulheres em relação as homens, mesmo após 200 anos de luta de emancipação e empoderamento feminino.
A fim de fornecer a devida segurança às mulheres em ambientes considerados públicos e que supostamente devem incluir a todos, é incumbência estatal garantir que este sistema de proteção funcione corretamente, o que visivelmente não ocorre, expresso na insatisfação do público feminino. É necessária a criação de políticas públicas de facilitação de denúncias, maior monitoramento e aumento das penas aos machistas. E para que isso de fato ocorra, é necessário exigir e exercer o direito a cidadania.