Violência de gênero nas universidades brasileiras: como enfrentar esse problema?

Enviada em 03/12/2019

Uma realidade onde mulheres não são vítimas de inúmeras formas de agressão física e psicológica ainda mostra-se uma visão utópica de mundo, mesmo esta não sendo uma questão recente. Inclusive, percebe-se que esses tipos de situações se fazem acentuadamente presente em áreas universitárias, o que contraria as diretrizes marcadas pelo teor de intelectualidade. Com isto, é notável a necessidade de discutir-se acerca das raízes e das práticas culturais que contribuem para esses eventos.

É fato que a inferiorização da mulher na sociedade é um problema estrutural com origem ainda na Antiguidade. Com a ideia de que o sexo feminino era útil apenas no quesito procriação, as principais noções gregas de cidadania foram instituídas de modo a isolar todo esse grupo. Dessa forma, com o passar dos anos, embora tal concepção tenha sido aperfeiçoada e se estendido às mulheres, nota-se que os resquícios dessa visão misógina perduraram na Idade Contemporânea.

Não distante destes ideais, cabe dizer que a incessante luta de figuras femininas por espaço no meio acadêmico e sua palavra contra a discriminação e a violência de gênero torna-se ainda mais acentuada com a manutenção da percepção de superioridade de alguns homens. No dia a dia obstáculos estão presentes nas salas de aulas, nas atividades de pesquisa de campo, nas festas, campeonatos, nas moradias estudantis e afetam o cotidiano de alunas, funcionárias e professoras. Com o pensamento do filósofo George Santayana, a falta de observação de imbróglios passados impede a possibilidade de progressos, algo observado na recorrência de casos de assédio sexual, desqualificação intelectual e, até mesmo, de estupro nesse cenário.

Visto a urgência de medidas para resolver tais eventos de tamanha persistência, pode-se dizer que propostas como o enrijecimento de normas a respeito de violência de gênero por parte de diretórios acadêmicos e cobrança dos próprios alunos e professores de universidades seriam significativas. Desse modo, por meio do aumento da fiscalização e da punição daqueles que cometem práticas do tipo, é possível garantir um ambiente mais saudável para todas as mulheres neste meio.