Violência de gênero nas universidades brasileiras: como enfrentar esse problema?

Enviada em 04/05/2020

Abuso sexual, intimidação, humilhação, xingamento, ofensa, divulgação e compartilhamento de fotos íntimas são alguns dos meios de violência contra a mulher. Um exemplo de tal desrespeito foi o que aconteceu com uma aluna da USP em 2014, que foi vítima de agressão física, intimidação e tentativa de estupro dentro da faculdade. O agressor não foi identificado e a menina passou a ter medo e insegurança de frequentar a Universidade. Portanto, visto que a violência de gênero é uma situação recorrente nas Instituições de Ensino do Brasil e que geram inúmeras consequências negativas, tanto físicas como psicológicas, nas mulheres, algo deve ser feito para mudar esse quadro nacional.

Frequentemente, o corpo feminino é objetificado e erotizado pela grande mídia e sociedade brasileira, e por muito tempo mulheres foram consideradas uma classe inferior, frágil e desprovente de capacidade intelectual. Tal pensamento foi alimentado e adotado por séculos, não só no brasil, mas como em todo o mundo. Um exemplo dessa situação é a ilustrada no filme “Mary Shelley”, que se passa no século XIX na Inglaterra, onde a sociedade duvidava e questionava a capacidade intelectual feminina. Mary, após escrever sua obra- prima “Frankenstein” é impossibilitada de publicá-lo como seu e obrigada a divulgá-lo em anonimato, já que, na época, ninguém compraria um livro escrito por uma mulher.

Portanto, a violência contra a mulher é algo enraizado na nossa sociedade e contruido ao longo dos séculos. Porém, mesmo com a luta das mulheres durante esses anos, como a luta das sufragistas pelo voto no século XX, para alcançarem mais voz e presença em um mundo desigual e opressor, ainda restam fragmentos de tal violência. Mesmo em espaços como, escolas e Universidades, que são instituições de função educativa e, portanto, antagonistas do desrespeito e opressão, a agressão continua. Um exemplo de tal violência nesses espaços é o exposto em um episódio da série “Sex Education”, no qual, uma personagem tem suas fotos íntimas expostas e compartilhadas na escola.

Desse modo, visto que as Universidades são espaços onde a agressão contra a mulher ainda é muito presente, medidas devem ser tomadas para controlar a situação. Para isso acontecer, o Ministério da Educação deve, por meio de aulas e palestras para a comunidade acadêmica, conscientizar e informar os universitários dos efeitos de seus atos violentos e desrespeitosos na vida das mulheres e instruir tais alunos das diversas formas que essas ações podem ocorrer como, intimidações e xingamentos, visto que muitos ainda não sabem diferenciar agressão e elogio. As aulas devem ser obrigatórias aos alunos das Universidade e facultativas para alunas e demais comunidade acadêmica. Além disso, podem ser criados Núcleos de Apoio as Mulheres, nessas instituições, que visem amparar judicialmente e emocionamente universitárias, professoras e funcionárias vítimas de violência.