Violência de gênero nas universidades brasileiras: como enfrentar esse problema?

Enviada em 18/05/2020

De acordo com o artigo primeiro da Constituição Federal de 1988, um dos fundamentos da República Federativa do Brasil é a cidadania. Entretanto, esse princípio não é exercido em sua totalidade, haja vista os os problemas referentes à violência de gênero nas universidades do Brasil. Diante disso, dois aspectos fazem-se relevantes: a cultura patriarcal, bem como a normalização do problema. Por isso, medidas atitudinais são necessárias para reverter o cenário atual.

De início, é válido ressaltar que a sociedade brasileira apresenta uma cultura patriarcal, a qual objetifica a imagem feminina, colocando-a inferior ao homem. Nesse sentindo, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o machismo é um fato social, gerado pelo patriarcalismo, visto que é uma forma coletiva de agir e pensar, enraizada na população brasiliense. Nesse viés, nota-se que tal lógica constitui uma causa para o problema em questão, uma vez que se criou uma visão de que o homem é um ser superior às mulheres. Dessa forma, a figura feminina é o alvo principal de comportamentos e falas machistas no ambiente acadêmico. Isso ocorre devido aos tabus que a sociedade impõe, principalmente, nos cursos que são considerados para o sexo masculino, como, por exemplo, a engenharia, já que consideram a mulher como sinal de incompetência para a realização desse objetivo, o que dificulta a amenização desse problema.

Ademais, é válido salientar que a normalização que esse assunto é tratado na sociedade contribui para a ocorrência sucessiva da violência de gênero nas faculdades brasileiras. Nessa perspectiva, de acordo com a filósofa Hanna Arendt, em sua tese ‘‘Banalidade do Mal’’, a falta de reflexão sobre determinados assuntos causa a normalização de atitudes cruéis. Sob tal ótica, a falta de repercussão sobre o assédio físico, bem como o moral enfrentado pelas mulheres nas universidades se encaixam no conceito de Arendt, haja vista que determinado assunto apresenta alta repercussão no dia 8 de março, comemorado o Dia Internacional da Mulher. Com isso, muitas vítimas se restringem do enfrentamento necessário em relação ao assédio. Isso ocorre devido à falta de voz ativa da população sobre o assunto em questão, o que contribui para a manutenção da violência de gênero.

Destarte, é necessário uma cooperação mutua entre Estado e sociedade. Para que isso ocorra, cabe ao Ministério da Educação proporcionar debates entre os alunos das universidades sobre a importância da igualdade de gêneros, por meio do engajamento de grupos educativos, a fim de debater e lutar contra qualquer tipo de atitude patriarcalista nesse local. Ademais, o Governo Federal deve criar campanhas que sejam submetidas às mídias, abordando a importância da voz ativa que as mulheres precisam ter sobre o tema em questão. Com isso, o direito previsto no texto constitucional será aplicado de forma consistente.