Violência de gênero nas universidades brasileiras: como enfrentar esse problema?
Enviada em 09/07/2020
“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Com esse pensamento, a escritora Simone de Beauvoir sintetiza a indiferença de um grupo perante situações de abusos, quaisquer que sejam. Analogamente, a exposição das mulheres à violência física, inclusive nas universidades nacionais, é um problema crônico hodiernamente. Destarte, faz-se necessário que as suas origens, tanto pela inobservância da atuação governamental, quanto à subjugação social, sejam combatidas, de forma a minimizar a potencialidade da problemática.
Mormente, vale ressaltar que o problema advém, em muito, da participação ineficaz do Estado em coibir a sua existência. Nessa conjuntura, o filósofo contratualista John Locke conceitualiza o dever do poder público na promoção do bem-estar social. Entretanto, dados publicados, em uma matéria do grupo Veja, apontam a ocorrência de diversas formas de abusos de cunho sexual, ainda hoje, nas faculdades públicas do país. Assim, torna-se evidente a necessidade de práticas repressivas, por parte dos órgãos governamentais, em relação a esses casos.
Ademais, a formação histórica da sociedade brasileira serve de base para manutenção do machismo. Isso porque, de acordo com o pensador liberal Rousseau, “o homem é fruto do meio em que vive”. Sendo assim, o passado colonialista, cujas raízes eram alicerçadas em uma estrutura patriarcal, estruturou a discriminação social de gênero. Como exemplo, tem-se a conquista dos direitos civis femininos, ocorridos muito tempo depois em relação à classe masculina da época. Dessa forma, é mister que esse viés temporal suscita a prática de abusos contra as mulheres.
Portanto, ações são necessárias para mitigar a lide da violência de gênero em ambiente acadêmico. Para tanto, o Ministério da Justiça, em conjunto com os governos estaduais e municipais, deverá intensificar a fiscalização dos casos de atos violentos sexuais, por meio do estabelecimento de canais de denúncia nas universidades, com o intuito de impedir a sua ocorrência. Outrossim, o Governo Federal deverá promover a valorização feminina na sociedade contemporânea, na forma de campanhas publicitárias nos principais veículos de comunicação. Por conseguinte, o país caminhará rumo a uma perspectiva de total intolerância a esses “escândalos”.