Violência de gênero nas universidades brasileiras: como enfrentar esse problema?

Enviada em 08/10/2020

No documentário americano “The Hunding Ground”, são apresentados casos verídicos de agressões físicas, morais e sexuais que mulheres estudantes sofrem dentro das escolas de ensino superior. Analogamente à dramaturgia, infelizmente, não só a sociedade patriarcal, mas também a normalização desse crime, estimula que a gazela da violência de gênero nas universidades seja recorrente na realidade, assim como na cinematografia. Logo, essa problemática necessita ser debatida e solucionada.

Em primeira análise, é importante destacar a sociedade patriarcal como fator do problema. Nos casos expostos pelo documentário “The Hunding Ground”, a grande maioria não tem um desfecho justo, isto é, os homens praticantes dos assédios e das agressões não são condenados e culpados. Nesse contexto, o patriarcado tende a dar autoridade de liderança e de voz ao sexo masculino que, por conseguinte, usa essa superioridade moral para objetificar as mulheres, dessa maneira, casos de estupros e de desmoralizações são frequentemente cometidos por eles. Em vista disso, pelos crimes ficarem impunes e a justiça não dar voz às vítimas, o problema fica com tendência a persistir e suas consequências ficam contínuas. Em geral, esses agraves são as doenças psicossomáticas - conjunto de enfermidades físicas e mentais, com sintomas de ansiedade e depressão.

Outrossim, a normalização das agressões é outro fator problemático. Segundo a filósofa Hannah Arendt, em sua tese “Banalidade do Mal”, sempre que ocorre a falta de reflexão sobre determinado assunto, por exemplo, a violência de gênero, o mal encontra espaço para se instalar, ocorrendo a normatização, ou seja, a banalização da maldade. Sob essa ótica, é possível analisar essa normalização quando casos de desmoralizações dentro das universidades, tanto de professores, quanto de alunas, são desvalorizados, considerados corriqueiros e julgados negativamente. Dessarte, a ausência de adesão aos relatos femininos, especialmente nos cursos predominados por homens, a exemplo da engenharia e da robótica, motivam o problema a não ser enfrentado e, consequentemente, geram a desistência das mulheres vítimas do problema de seus cursos e de seus futuros.

Em síntese, cabe uma parceria público-privada entre o Ministério da Educação e as redes de ensino superior, na qual crie projetos que busquem descontruir o conceito de sociedade patriarcal, por meio de palestras informativas e educativas - principalmente nos cursos predominados por homens, a fim de combater a violência de gênero nas universidades. Ademais, essa ação irá desnormalizar os casos de agressões e, desse modo, o Brasil deixará de praticar o conceito de “Banalidade do Mal”, apresentado por Hannah, que tão bem reflete essa trivialidade problemática.