Violência de gênero nas universidades brasileiras: como enfrentar esse problema?
Enviada em 23/09/2020
A série americana “Sex Education” retrata, dentre inúmeras tramas, a história de Aimee, uma jovem que sofre assédio sexual ao entrar no ônibus escolar, sem receber nenhum amparo dos presentes no local. O drama revela, ainda, os impactos emocionais sofridos pela personagem, devido ao trauma a que foi exposta. Na hodiernidade, a violência de gênero, enfrentada principalmente em universidades, ainda é uma problemática no Brasil. Faz-se necessário, portanto, debater os aspectos que envolvem a questão, como a construção do corpo social e a ausência de punição, a fim de atenuá-la.
Diante desse cenário, é importante ressaltar os motivos que influenciam tal conduta, como o machismo enraizado na sociedade, por exemplo. Por crescer em núcleos que permitem comportamentos inadequados, muitos jovens acreditam ser natural a violação do corpo feminino, sem sequer perceber o abuso realizado, seja este físico ou verbal. O longa-metragem “Moonlight” reflete tal visão, ao discutir a construção da masculinidade e as subjetividades do homem, fatores que contribuem para explicar o porquê, segundo a revista “Abril”, 70% das universitárias relatarem ter sofrido violência em universidades, o que revela a gravidade do problema.
Por conseguinte, ainda convém lembrar como a impunidade dos agressores pode impedir o fim das práticas, pois a certeza da isenção de culpa acaba por encorajar ainda mais tal conduta. Outrossim, a falta de provas dificulta a denúncia das vítimas, as quais optam pelo silêncio. De acordo com o pensamento de Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento acerca do mundo. Assim, as complicações na divulgação dos delitos pode criar “muros”, impedindo que novas vítimas possam delatar seus casos, acentuando o entrave.
É perceptível, dessa forma, como a violência de gênero ainda é um entrave na contemporaneidade e, por isso, é imprescindível que as universidades busquem reduzir o problema, por meio do estabelecimento de pontos de apoio jurídico e psicológico, nos quais mulheres que tenham sofrido abuso possam ser amparadas, a fim de oferecer maior apoio às vítimas. Ademais, é necessário que a mídia, como formadora de opinião, promova campanhas de conscientização, por meio de propagandas, nas quais serão abordadas os tipos de violência e as atitudes a serem tomadas, com o intuito de auxiliar as mulheres. Dessa maneira, será possível minimizar o entrave, assegurando para que a situação vivida por Aimee possa permanecer apenas na ficção.