Violência financeira contra idosos

Enviada em 14/10/2021

O filme “Eu me importo” fala sobre uma mulher que se aproveitava de idosos vulneráveis, internando-os em clínicas de repouso e tornando-se responsável pela administração financeira dos mesmos. Não distante da trama, no Brasil hodierno, a violência financeira contra idosos é uma persistente problemática, que tem o silenciamento e a lógica capitalista  como principais causas, e urge ser analisada.

Cabe abordar, primeiramente, a falta de debate. O “Ensaio sobre a cegueira”, livro de José Saramago, fala sobre a cegueira cultural, moral e ética na sociedade. Na mesma perspectiva, há uma cegueira presente na população que mantém silenciado o problema, visto que pouco se fala nas mídias de massa, o que gera a desinformação na maioria das pessoas e principalmente nas vítimas, as quais sofrem a violência monetária inconscientemente. Logo, é necessário tirar essa situação da invisibilidade e tornar o assunto conhecido.

Outrossim, a priorização de interesses financeiros é um entrave presente no cenário. Bauman explica que os valores da sociedade estão sendo colonizados pela lógica capitalista. No mesmo viés, nota-se que o interesse em lucrar tornou-se prioridade para muitas famílias e instuições financeiras, as quais agem de má fé, induzindo o idoso, mesmo sem condições, a adquirir empréstimos e o coagindo a assinar contratos de consignados, confirmando assim, o pensamento baumaniano.

Em síntese, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para isso, o Estado deve, por meio de destinação de verbas, promover campanhas publicitárias televisões e redes sociais, principalmente em horários comerciais, alertando a população e trazendo relatos de casos verídicos de violência financeira, para que haja conscientização dos idosos e das famílias. Deve, ainda, criar progamas confiáveis de assitência financeira, para que tenham o cuidado necessário quando forem induzidos ao erro. Assim, a violência será apenas parte do filme.