Violência financeira contra idosos
Enviada em 07/10/2021
Ineficiência do Estado. Fracasso educacional. Descaso com os mais velhos. Entre os fatores pertinentes à violência financeira contra idosos, é possível afirmar que a falta de fiscalização governamental e a deficiência de administrar os recursos monetários destacam-se como um perigoso entrave nacional. Nesse sentido, convém analisar as principais causas e possível medida para atenuar essa problemática em nossos dias.
Nesse contexto, cabe ressaltar que a ausência de políticas públicas para promover a redução dos crimes financeiros contra os idosos representa um dos motivadores do impasse. Segundo Yuak Harari, no livro “Sapiens: uma breve história da humanidade”, a Revolução Científica tem papel fundamental no processo de formação da sociedade, o que, diante disso, evidencia a relevância do Estado em averiguar os altos índices de uso inadequado do dinheiro pelos familiares dessas pessoas. É, pois, inadmissível que um país oficialmente democrático não seja capaz de elaborar medidas eficientes para prevenir o prejuízo material da população idosa, além de não conseguir prevenir e punir essa infração.
Além disso, pode-se constatar que a atual e frustrante estruturação da grade de ensino em relação à educação financeira é outro fator a ser debatido. Conforme o pedagogo e filósofo brasileiro do século XX, Paulo Freire, ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho, as pessoas se educam reciprocamente pelo mundo. Nesse caso, a carência de disciplinas nas escolas sobre como gerenciar e aplicar o dinheiro torna o combate a essa prática inútil no futuro. Percebe-se, assim, como inaceitável que o Estado não seja capaz de garantir o acesso à educação de qualidade, que aborde os temas contemporâneos, o que é um direito assegurado pela Constituição de 1988 a todos cidadãos.
Dessa forma, a fim de confirmar a percepção teórica do livro Sapiens e validar a tese de Paulo Freire, cabe ao governo federal, portanto, mobilizar o Ministério da Justiça, em consonância com o Ministério da Educação, por meio de um projeto de lei enviado ao Congresso Nacional, com medidas para enrijecer as regras de controle financeiro por parentes de idosos e aumentar a pena para esse tipo de delito, além de incorporar, através de norma complementar, na base comum curricular, matérias referentes à administração dos recursos monetários. Espera-se, com isso, impedir a elevação da taxa de agressão financeira contra idosos e modificar o ensino regular do país.