Violência financeira contra idosos
Enviada em 27/10/2021
De acordo com o Estatuto do Idoso, considera-se crime a conduta de receber ou desviar bens, dinheiro ou benefícios de idosos. Essa prática, que se mostra muito persiste na realidade atual, configura a ocorrência de violência financeira contra os mais velhos, o que afeta gravemente o seu bem-estar. Nesse sentido, a condição de vulnerabilidade a que podem estar submetidos esses indivíduos e o conflito geracional podem agravar a problemática, portanto, essas implicações devem ser superadas. Em primeiro lugar, pode-se pontuar que violência financeira ocorre com maior frequência mediante a vulnerabilidade conferida ao idosos. Isso se justifica uma vez que o processo de envelhecimento pode gerar solidão, dificuldades de mobilidade e limitações cognitivas. Dessa maneira, o desamparo e a dependência dessas pessoas podem levá-las a aceitar ajuda de pessoas oportunistas que agem de má fé, o que corrobora para o aumento de abusos, como roubos, coação, chantagens, fraudes ou ainda transferência de ativos. Esse cenário muito se assemelha à narrativa do filme “Eu Me Importo”, no qual a protagonista Marla Grayson trabalha em um esquema que frauda diagnósticos de pessoas considerando-as incapazes de tomar conta de si mesmas, com objetivo de lucrar com a venda das posses alheias. Assim, a ficção muito se assemelha da vulnerabilidade acerca dos idosos atuais.
Em segundo lugar, cabe ressaltar que o conflito de gerações, que concretiza divergências entre jovens e idosos, gera uma negligência e um desrespeito relativo aos cuidados senis. Sabe-se que a dinâmica demográfica pressupõe a intensificação do envelhecimento população, o que é confirmado por estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que garante que até 2060, 1 em cada 4 brasileiros terá mais de 65 anos. Logo, esse grande contingente de idosos entra em conflito com os mais novos, dado que possuem valores e concepções de vida diferentes. Os mais jovens, por sua vez, sobretudo os pertencentes à geração “Nem-Nem”, ou seja, que não estudam e não trabalham, podem ter menor capacidade de prosperar social e economicamente, o que intensifica a violência financeira contra o idoso, abusando, por exemplo, do dinheiro recebido com sua aposentadoria. Por isso, é preciso reconhecer a autonomia dos mais velhos mesmo diante de seu envelhecimento.
Depreende-se, portanto, a necessidade de superar esse impasse para o bem-estar da sociedade. A fim de garantir a diminuição dos tratamentos violentos em relação aos idosos, cabe ao Estatuto do Idoso associar-se à veículos midiáticos de destaque, como a internet e a televisão, para disseminar campanhas para conscientizar e informar sobre o problema em questão, esclarecendo-o e divulgando canais para denúncia. Como efeito, será obtido o menor aproveitamento da vulnerabilidade das faixas etárias mais avançadas.