Violência financeira contra idosos
Enviada em 19/11/2021
Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é influenciada pelo individualismo. Nesse viés, a tese do sociólogo pode ser observada na realidade brasileira no que tange à violência financeira contra idosos, conjuntura na qual essa liquidez se faz presente pelo descaso com pessoas de idade mais avançada. Nesse sentido, esse contexto configura-se como um problema que emerge tanto à falta de empatia quanto à irresponsabilidade governamental.
Nessa perspectiva, cabe ressaltar que, segundo o pensamento do filósofo Vladimir Jankélévitch em sua obra “Paradoxo da Moral”, as relações humanas são marcadas por uma cegueira ética, ou seja, uma passividade perante aos impasses enfrentados pelo outro. Sob essa lógica, por falta de alteridade, há a opressão que os idosos sofrem em relação à privação de recursos financeiros, uma vez que é marcada pela estagnação social. Dessa forma, esse panorama dificulta a resolução da problemática, já que a população assume um comportamento individualista em relação às dificuldades enfrentadas pela parcela da sociedade de idade mais avançada. Nesse sentido, não se mensura as consequências que essa violência traz para vida desses cidadãos, resultantes da vulnerabilidade econômica.
Outrossim, vale descatar a responsabilidade do governamental. Nesse âmbito, de acordo com o contratualista John Locke, a sociedade cria o Estado, por meio de um contrato social, para que esse assegure a ela seus direitos. Logo, levando em consideração que em uma sociedade capitalista, para a sobrevivência, o capital se faz indispensável, vê-se que o governo, ao permitir a perpetuação de uma conjuntura marcada pela violência financeira aos idosos, está sendo irresponsável com o direito à vida desses. Além disso, o desamparo de recursos implica em obstáculos para conseguir tratamentos de saúde adequados e o acesso à moradia, ambos direitos assegurados pela Constituição Federal vigente e, por isso, cabe ao governo elaborar políticas públicas que mitiguem a atual conjuntura.
A violência financeira a idosos, portanto, fere direitos fundamentais à vida de um ser humano necessita de medidas vindas do poder público. Para isso, cabe ao governo federal o valor alocado para à previdência social ecertificar que o valor da aposentadoria por idade está sendo entrege à camada social de idade mais avançada, por meio do envio de assistentes sociais às casas desses, dessa maneira, deverá ocorrer a regularização da aposentadoria quando essa não estiver de acordo com a juridição, a fim de promover uma vida mais digna aos cidadãos idosos. Espera-se, dessa forma, que a violência financeira aos brasileiros de mais idade deixe de ser uma realidade.