Violência financeira contra idosos

Enviada em 08/10/2021

Nos últimos anos, tem se percebido no Brasil uma transição etária devido ao crescimento da população idosa. Diante disso, muitas são as reflexões e preocupação sobre o envelhecimento, o qual faz parte do desenvolvimento human e que acarreta perdas na esfera biopsicossocial. Dessa forma, pode-se apresentar uma maior vulnerabilidade social, o que predispõe situação de violência, a exemplo da violência financeira. Sobre os fatores relacionados a esse infortúnio, destacam-se o perfil de vulnerabilidade da vítima e a carência do amparo social.

Sobre o assunto, vale citar o “ranking” de violências praticadas contra o idoso divulgado pela Central Judicial do Idoso, no qual a violência financeira encontra-se na primeira posição, sendo cerca de 31% dos casos. Cabe analisar, dessa forma, a situação vulnerável da vítima de forma a influenciar a perpetuação da problemática. Nesse sentido, muitos idosos do Brasil não apresentam uma alfabetização adequada, somado as questões biológicas do envelhecimento, tais possuem dificuldades de leitura e interpretação, sobretudo de contratos bancários, por apresentar uma linguagem não acessível de valores e questões matemáticas que envolvem as cláusulas dos empréstimos e financiamentos. Em consequência, tornam-se mais passiveis de serem vitimas de violência financeira.        Além disso, cabe perceber a carência de um amparo social eficiente capaz de oferecer um ambiente mais seguro para os idosos. Conforme o sociólogo Zigmund Bauman no seu pensamento de ‘Modernidade Líquida", nessa era moderna, as relações interpessoais estão se tornando cada vez mais volúveis, com pessoas menos interessadas na alteridade e progressivamente mais individualistas. Nessa ótica, os idosos, pessoas mais vulneráveis e carentes de amparo e proteção social, são colocados a margem da sociedade e expostas aos diversos perigos, como o abuso financeiro, quando os próprios familiares ou pessoas responsáveis pelo idoso se apropriam, indevidamente, dos recursos destes, seja pegando o dinheiro do idoso ou fazendo empréstimo em nome deles sem autorização,

Tornam-se evidentes, portanto, os entraves referentes a violência financeira contra o idoso. Em razão disso, concerne a Associação Brasileira de Apoio Aos Aposentados, Pensionistas e Servidores Públicos (ASBP) uma maior fiscalização a cerca dos movimentos financeiros dos idosos, por meio da criação de um departamento no qual são revisados os benefícios, empréstimos consignados e outros serviços jurídicos dos idosos, a fim de capacitar e proteger os idosos de transações indevidas sem o consentimento de tais. Ademais, cabe ao Ministério de Educação em parceria com a Mídia, a conscientização da papulação a cerca da alteridade e a importância do cuidado com o outro, em especial aos mais vulneráveis.