Violência financeira contra idosos

Enviada em 16/11/2021

A constituição de 1988 assegura a autonomia dos cidadãos por intermédio do conjunto dos direitos -sociais, civis e políticos- a fim de promover uma sociedade coesa. Contudo, não há a efetivação de tais propostas, uma vez que a violência contra os idosos tem sido recorrente no cenário brasileiro atual, o que gera um conflito entre a população. Dessa forma, convém analisar o papel do governo e a atuação social diante dessa problemática, visando compreender a causa dessa desordem e mitigar os entraves para a consolidação da constituição.

A princípio, vale destacar o papel do governo como agente perpetuador da violência contra os idosos no Brasil. Nesse sentido, o filósofo John Locke, em suas idéias contratualistas, afirma que o contrato social é o momento em que o homem revoga seu “Estado de Natureza”, na expectativa de ser governado por líderes justos. Todavia, na prática, tal garantia é deturpada, visto que a ausência de políticas públicas eficazes propicia o aumento dos abusos financeiros contra a população senil, tal como demonstra a revista Radis, em que cerca de 85% dos idosos já foram vítimas de algum tipo de golpe na aposentadoria. Dessa maneira, a atuação de um Estado inoperante, favorece as adversidades, sendo a população mais vulnerável, a maior afetada.

Além disso, a aceitação, pela sociedade, da violência econômica contra os idosos, também favorece a perpetuação dessa problemática na população brasileira. Nesse viés, segundo aponta a escritora Hannan Arendt, no contexto atual, a “Banalização do Mal” tem formado indivíduos incapazes de tomar um posicionamento moral crítico, uma vez que as situações adversas são naturalizadas, haja vista sua recorrência. Desse modo, os abusos financeiros contra a população idosa, por mais que seja algo incoerente, não desperta o sentimento de revolta entre os civis, o que fere as premissas constitucionais de isônomia. Assim, legitimar a atuação social no combate às adversidades é fundamental para garantir uma comunidade harmoniosa.

Diante dos fatos supracitados, portanto, torna-se evidente a necessidade de medidas que visem combater a violência financeira contra os idosos. Desse jeito, compete ao governo, em parceria com o poder legislativo, assegurar a autonômia da população senil. Tal ação deverá ser feita mediante a ciação de uma lei, que deverá garantir que os idosos não sofram qualquer tipo de agressão, além de conferir obrigações aos familiares de manter a integridade desses atores sociais, para assim, promover uma soiedade coesa, provida de direitos.