Violência financeira contra idosos
Enviada em 08/10/2021
De acordo com a obra “Brasil, País do Futuro”, escrita por Stefan Zweig, em 1941, o Brasil assume uma conotação otimista e promissora, o que desenha um retrato de um tempo de ouro. Entretanto, há uma grande discrepância entre o que era esperado e o que foi entregue, tendo em vista que o ato de envelhecer é sinônimo de risco, sobretudo financeiro — um realce da fragilidade que a senilidade pode fazer advir. Assim, é possível afirmar que não só a diminuição da capacidade crítica ao decorrer dos anos, mas também a falta de orientação digital em relação aos idosos fomentam o status quo contemporâneo do século XXI.
Inicialmente, é necessário dizer que é normal, em termos biológicos, a debilidade física e mental condicionada à faixa etária individual avançada, o que abre oportunidade para pessoas perversas. Conforme o relatório do Conselho Nacional de Justiça, o Brasil é um dos países mais violentos do mundo, onde não há exceção de público alvo e nem setor restrito às ações dos larápios —em geral, a violência está nas ruas, na rede digital e até mesmo dentro de casa. A priori, quando há a combinação entre senilidade mental e verdadeiros interesseiros inescrupulosos, fica evidente que a velhice não é uma fase de aprendizagem da vida, mas sim de suplício e desconfiança amiúde.
Ademais, outro tópico importante a se discutir tange à questão das novas tecnologias, as quais, por serem incipientes no cotidiano dos idosos, estimulam uma falta de conhecimento virtual e despreparo para com as situações. Por exemplo, na rede de hambúrgueres denominada “Madeiro”, aboliu-se uso de cardápios impressos e seu acesso se dá por um código (QR) por meio de um smartphone — o que, invetavelmente, enfatiza o despreparo de muitos idosos para com a tecnologia. A partir desse aspecto, se há uma dificuldade em acessar um menu de restaurante pelo celular, é duvidoso pensar que os senis consigam uma avaliação crítica de um golpe financeiro ou qualquer outro esquema fraudulento, visto a tamanha perspicácia das artimanhas.
Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com instituições de ensino, conscientizar a população mais velha por intermédio de palestras educativas e campanhas publicitárias simples acerca das tecnologias e de perguntas cotidianas, como demonstração de sites confiáveis, perguntas que são motivos para se desconfiar etc. Espera-se, com tudo isso, uma melhoria da capacidade crítica da população com mais de 65 anos e, por conseguinte, o contorno das práticas larápias e uma melhor segurança financeira.