Violência financeira contra idosos

Enviada em 11/10/2021

O filme “Eu me importo” narra a história de Marla Grayson, golpista que se passa por cuidadora de idosos e com isso se apropria de todos os bens de suas vítimas. De forma análoga à obra cinematográfica, muitos cidadãos da terceira idade estão sujeitos a sofrerem violações de cunho financeiro e esse cenário deriva tanto da falta de políticas educacionais quanto da dificuldade na identificação desse tipo de crime. Ao ter em mente que a segurança de todos os brasileiros é garantida pela constituição, faz-se necessária a discussão acerca da violência financeira contra idosos no Brasil.

Em primeira análise, é fulcral pontuar que o acesso ao conhecimento ocorre de forma desigual no país, o que cria um terreno fértil a práticas criminosas que se utilizem da falta de informação de suas vítimas para se efetivarem. Nessa seara, o sociólogo Jessé de Souza aponta em sua tese “subcidadania” a negligência do Estado por trás de problemas sofridos pelos mais vulneráveis, como os idosos, que não tem o aparato necessário para se proteger de golpes, uma vez que desconhecem os mecanismos e são, na maioria, analfabetos digitais. Ademais, essa dependência tecnológica faz com que sejam vistos como alvo fácil, ou seja, a falta de políticas educacionais fomenta esse tipo de crime.

Em segunda análise, do desconhecimento sobre os trâmites financeiros surge a dificuldade de identificar a lesão econômica, uma vez que depende do próprio lesado verificar a anormalidade em seus ganhos para que possa acionar a justiça. Além disso, os processos jurídicos prescindem da transparência das instituições financeiras que podem, em alguns casos, coadunarem ou ainda protagonizarem essas violações. Sob essa ótica, no livro “Brasil: uma biografia”, as autoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling discutem sobre o paradoxo do país ter uma das legislações mais avançadas do mundo, porém não concretizar a maior parte do que se prevê, o que se traduz em um Estado ineficiente e com uma lei difusa que alimenta o sentimento de impunidade.

Diante do exposto, verifica-se a necessidade de ações de combate ao avanço da violência financeira contra idosos. Dessarte, com o intuito de disseminar o conhecimento sobre os possíveis golpes, é mister que o governo federal, por meio do Tribunal de Contas da União, direcione capital para o Ministério das Comunicações, que deverá reverter a verba na elaboração e divulgação de material midiático contendo informações sobre os artifícios financeiros, de forma a alertar a população da terceira idade sobre os atos ilegais praticados pelas instituições monetárias ou por terceiros, assim como transmitir medidas de segurança para precavê-los dessas violações. Desse modo, espera-se propiciar o conhecimento basilar aos idosos para que possam evitar golpes como os praticados por Marla Grayson.