Violência financeira contra idosos
Enviada em 13/10/2021
No filme “Eu me importo”, pessoas idosas são enganadas para que seus bens financeiros sejam repassados, e por não saberem como impedir, originam-se graves problemas psicológicos. Nesse viés, a obra possui verossimilhança notável, uma vez que retrata um tema, infelizmente, de íntima presença na sociedade brasileira: violência financeira contra idosos. Assim, insta pontuar a negligência estatal e os malefícios que tal violência causa.
Mormente, cabe destacar que a segurança é um direito assegurado constitucionalmente. Como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a cidadania é garantida na Constituição, mas não existe na prática. Prova disso é a escassez de políticas públicas que visem acentuar a acessibilidade de informações de como impedir golpes financeiros, visto a linguagem predominantemente utilizada nesse ramo ser a bancária, impossibilitando que idosos que não façam parte dessa esfera social evitem tal crime, sendo perceptível, portanto, o descaso estatal que permite a violação da segurança financeira mediante a desinformação.
Outrossim, ressalta-se que a violência financeira tem graves consequências para os idosos. Como ilustrou o psiquiatra Bessel Kolk, eventos intensamente desagradáveis podem causar traumas físicos e psíquicos. Em paralelo, idosos que perdem o controle de seus bens ao contraírem dívidas em razão da má-fé de terceiros, além do estado depressivo que pode suceder, visto não suportarem mais a violação de seus direitos, recorrem à automutilação, como forma de bloquear as lembranças do acontecimento.
Urge, portanto, que o Ministério da Educação, em parceria com especialistas no ramo orçamentário, veicule informações em canais televisivos - meio de comunicação em massa - acerca de como evitar golpes financeiros de maneira lúdica, como explicações por meios gráficos do assunto, de modo a garantir uma linguagem acessível a todos, mediante incentivos governamentais, a fim de que o conhecimento seja democratizado com o fito de atenuar os crimes financeiros contra idosos e o Estado cumpra seu papel como promotor da harmonia social. Assim, traumas decorrentes dessa situação serão mitigados.