Violência financeira contra idosos
Enviada em 12/10/2021
O filme “Eu Me Importo” retrata a vida de uma criminosa que aplica golpes em idosos. As vítimas tinham seus bens tomados, suas contas confiscadas e sofriam abuso psicológico diariamente. Do meio artístico para a realidade, na conjuntura hodierna, há casos de violência financeira contra idosos. A partir de uma análise da problemática, percebe-se que ela está vinculada à negligência estatal e à mentalidade social, fazendo-se necessário um debate acerca do assunto.
Nessa perspectiva, em primeiro lugar, é lícito destacar a omissão do Estado como fator que promove o abuso financeiro contra idosos no Brasil. Sob esse viés, a Constituição garante que o direito à segurança é comum a todos os cidadãos. Contudo, em sua obra “Cidadania de Papel”, Gilberto Dimenstein aponta que a Carta Magna só existe, de fato, no papel. Dessa forma, é indubitável que os idosos brasileiros se encontram na posição de cidadãos de papel, visto que a legislação não os alcança, mas os deixa vulneráveis à crimes de apropriação e de desvio de bens. À vista disso, é essencial superar esses paradigmas.
Em paralelo, é possível somar aos aspectos supracitados a cultura de aceitação da sociedade como causa do revés. Nesse quadrante, a filósofa Simone de Beauvoir afirmou que mais escandalosa que a problemática é o fato do coletivo se habituar a ela. Dessa maneira, nota-se que, em decorrência dessa característica, os idosos seguem a sofrer com a exploração de finanças, pois a sociedade está habituada com esse cenário e, consequentemente, não realiza ações que possam mudar esse quadro. Assim, o grupo da terceira idade permanece em perigo da violência financeira e seus impactos, como golpes e dívidas, que ameaçam seu bem-estar. Com isso, urge a necessidade de reverter esse quadro.
Portanto, são fundamentais ações que possam modificar o contexto em questão. Logo, é dever da máquina governamental federal, em parceria com as estaduais e municipais, responsáveis por garantir as normas constitucionais, implantar leis, por meio de projetos formulados pela Câmara e pelo Senado, a fim de proteger efetivamente os idosos desses crimes que ferem a liberdade financeira deles. Ademais, cabe ao tecido social livrar-se da condição habituada em que se encontra, por meio de denúncias contra essas práticas ilegais e apoio aos idosos, para que os mais velhos fiquem seguros no que tange aos seus bens. Quiçá, nessa via, a violência financeira contra os idosos deixa de ser uma realidade do Brasil, e esse grupo não sofre aquilo que foi mostrado em “Eu Me Importo”.