Violência financeira contra idosos

Enviada em 13/10/2021

O filme “Eu Me Importo” retrata a história de uma guardiã legal que tira proveito e se apossa dos bens materiais dos idosos que tem contato. Não longe da ficção, é possível observar essa realidade sendo presenciada no Brasil, em que inúmeros idosos sofrem violência financeira e têm seus patrimônios invadidos por outras pessoas. Dessa forma, cabe analisar esse viés, que tem como motivação não somente o foco demasiado em interesses financeiros, mas também o individualismo existente na esfera social.

Primeiramente, é importante destacar o forte direcionamento da população ao acúmulo financeiro como causador da violência contra as pessoas da terceira idade. Consoante a isso, a teoria marxista exemplifica como a sociedade capitalista tem transformado o pensamento atual, levando à personificação de objetos e à coisificação de pessoas. Consequentemente, essa fixação por possuir cada vez mais capital leva o ser humano a agir de maneira inconsequente com os idosos, se aproveitando das suas vulnerabilidades para usufruir dos seus bens materiais. Dessa maneira, é imprescindível salientar que atitudes são necessárias para o enfrentamento da problemática.

Ademais, cabe ressaltar o individualismo da sociedade vigente como fator motivador para a questão supracitada. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade vive em tempos líquidos, em que as relações interpessoais estão cada vez mais superfíciais e, por conta disso, as pessoas se tornam individualistas. Em vista disso, é notável que esse comportamento reflete nas interações com os idosos, visto que diversas pessoas se apropriam dos ganhos financeiros de seus familiares aposentados por idade, o que demonstra falta de empatia ao agir contra essa parcela da população. Assim, a perpetuação dessa conduta favorece a ascendência do abuso financeiro contra os mais velhos.

Nesse sentido, medidas são necessárias para assegurar a resolução do problema. Logo, o Ministério da Economia deve elaborar um plano de segurança financeira para idosos, a fim de garantir a proteção das suas posses, sem intrusão de terceiros. Essa medida deve ser realizada por meio da criação de leis de proteção ao crédito, assegurando que somente o proprietário tenha acesso aos bens e seja repassado aos outros unicamente com o consentimento deste na presença de testemunha. Além disso, devem ser criadas campanhas para o ensino dos idosos, objetivando o conhecimento sobre fraudes e controle de gastos. Somente assim o Brasil ultrapassará mais um entrave no seu desenvolvimento econômico e social.