Violência financeira contra idosos

Enviada em 13/10/2021

O ímpar poeta Carlos Drummond de Andrade, em seu poema “No meio do caminho”, narra, de forma figurativa, como pessoas que já viveram considerável tempo enfrentam diversos obstáculos. A escrita de Drummond, nesse limiar, se adequa à realidade do país, especialmente em relação à violência financeira, verdadeiro percalço na vida dos idosos. Haja vista essa problemática, é essencial que o debate público analise e discuta suas causas — a inação governamental e o descaso parental —, para que elas sejam combatidas e atenuadas.

Diante desse cenário, cabe pontuar que a falha em que decorre o Estado brasileiro. Nesse prisma, pode-se afirmar, como o faz Thomas Hobbes em “Leviatã”, que o Estado deve promover todos os meios necessários para a promoção da coesão do tecido social. Todavia, o cenário vigente está em dissonância com a máxima do filósofo, pois a existência de uma flagrante violência contra a população senil se configura como uma forma ultrajante de perpetuar condições inumanas de vida. Dessa maneira, é fundamental que o poder público intervenha fortemente nessa questão, buscando superar, com urgência, o quadro deletério de violência financeira sofrida pelo grupo social apontado.

Além disso, o desamparo familiar é fator causador eminente do engano econômico cometido contra os mais velhos. Isso ocorre, segundo dados da Central Judicial do Idoso, em mais de dois quintos dos casos de violentação pesquisados. Assim, com a negligência da família, os idosos, que são caracteristicamente mais suscetíveis a ludibriações, caem em negócios abusivos, dada a dificuldade de assimilação decorrente da idade. Logo, se é intuito da nação proteger os direitos e a dignidade dos senis, é fulcral que os núcleos familiares se organizem e lutem pela população idosa.

Conclui-se, portanto, que o Estado do Brasil, por meio de debates na Câmara dos Deputados — maneira pela qual se efetiva a democracia no país —, deve promover a criação de agências de auxílio aos idosos no que tange ao âmbito financeiro. Esses aparatos estatais devem, por intermédio  de uma aliança com os parentes, favorecer a compreensão e a efetiva liberdade do idoso na escolha do destino de sua vida econômica. Tendo em conta a eficiência de ações que atuam tanto pela interface familiar, quanto pela interface governamental, espera-se que a população idosa, paulatinamente, pare de sofrer com a violentação financeira, o que fará com que a ideia hobbesiana esteja mais próxima da concretude no Brasil.