Violência financeira contra idosos
Enviada em 16/10/2021
Diante de uma trajetória de lutas, o ativista Martin Luther King afirmou temer mais a indiferença dos benevolentes do que as possíveis ações dos atrozes, denotando a importância do engajamento dos indivíduos em questões relevantes à nação, tal como a violência financeira contra os idosos. Indubitavelmente, é de suma importância a análise do tema, haja vista que esse árduo cenário é vivenciado por muitos brasileiros da terceira idade. Nesse sentido, é válida a abordagem não só dos estigmas associados à idade avançada, mas também a afetividade como justificativa não plausível a essa violação financeira.
Inicialmente, é oportuno salientar o fato de o filósofo Emile Durkheim elucidar o comportamento individual como um reflexo de uma consciência coletiva da sociedade na qual está inserido. Em consonância a isso, infere-se que a violência financeira contra idosos correlaciona-se a um processo de institucionalização de estigmas, os quais associam o público em questão a seres com debilidades da capacidade de memórias e de gerenciamento financeiro próprio. Por conseguinte, ao serem vistos como alvos mais vulneráveis, os idosos são mais suscetíveis à enganação e à tentativa de apropriação de bens por meio de coações fraudulentas. Em síntese, são demandadas medidas de confronto a essas hostilidades financeiras.
Ademais, segundo Ricardo Amorim- indicado como economista brasileiro mais influente pela Forbes- a crise econômica mundial, diante do contexto da pandemia do novo-coronavírus, condicionou o retorno de vários jovens às casas dos pais e avós, assim como a acentuação de casos de endividamento e de usurpação de recursos econômicos por pessoas do convívio familiar relatados às autoridades. Esse cenário se deva à noção de impunidade e de legalidade da exploração financeira, uma vez que é erroneamente justificada pela relação de proximidade com a vítima, por exemplo, parentes ou amigos. Logo, é necessária a desconstrução desse imaginário, bem como a reafirmação da atitude como um ato criminoso.
Compreende-se, portanto, a necessidade de coibir a violência contra os indivíduos longevos. Para tanto, cabe ao Ministério da Família criar e divulgar cartilhas socioeducativas- as quais abordem orientações de proteção e de prevenção contra a apropriação financeira por terceiros contra a pessoa idosa. Tal ação deve ser viabilizada por intermédio de plataformas midiáticas de amplo acesso, por exemplo, “Instagram” e “Facebook”, com intuito de engajar o público idoso sobre golpes aplicados contra essa faixa etária e, consequentemente, freá-los. Por fim, o estado de apatia tão temido pelo líder do movimento negro será apenas uma ilustração do passado.