Violência financeira contra idosos
Enviada em 06/11/2021
De acordo com o geógrafo Milton Santos, no texto “As Cidadanias Mutiladas”, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, quando todos os direitos são universais e desfrutados por todos. Entretanto, no cenário atual, a população idosa sofre com a violência financeira, o que os priva de uma cidadania plena. Nesse sentido, evidencia-se o sistema de produção baseado no capital e as consequências geradas por essa forma de violência.
Vale ressaltar, de início, a configuração capitalista da sociedade. Conforme Karl Marx, o dinheiro é um agente alienante e de desejo do indivíduo, o que o leva a busca-lo sem medir as consequências. Nessa perspectiva, com o fenômeno de inversão da pirâmide etária e consequentemente, com o envelhecimento da população, os idosos são vítimas de abusos financeiros devido, principalmente, à sua vulnerabilidade, que pode ser física, psicológica, emocional, presença de enfermidades e até o analfabetismo. Dessa maneira, contribuindo para que tanto familiares, como instituições se aproveitem dessa situação, sem medir as consequências e sem qualquer princípio ético e responsabilidade. Somado a isso, destaca-se a privação aos idosos dos direitos garantidos pelo Art. 230 da Constituição Federal de 1988, o qual prevê a garantia da dignidade, bem-estar e amparo aos indivíduos senis pela família, pelo Estado e pela sociedade. Desse modo, no documentário “Covardia Capital”, é retratada a aflição enfrentada por idosos que contraíram empréstimos sem ter a mínima noção do que estava acontecendo, ou até mesmo enganados pelos bancos, e por isso não tem acesso à suas aposentadorias. Nesse contexto, esse problema que atinge diversos idosos tira a tranquilidade, a segurança e estabilidade financeira que deveriam ser inerentes ao idoso após anos de contribuição ao país.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de medidas que evitem a ocorrência da violência financeira contra idosos. Sob essa análise, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Educação em conjunto com o Ministério do Trabalho e Previdência, incentivar a formação de profissionais gerontólogos, ou seja, qualificados para trabalhar com pessoas idosas e a regulamentação dessas profissões, a fim de possibilitar uma maior segurança à população idosa que precisarem de algum auxílio, como ir ao banco, obter informações, administração financeira, evitando assim, muitas violências que abrangem essa faixa etária.