Violência financeira contra idosos
Enviada em 20/10/2021
No ano de 1888, deu-se início a previdência social no Brasil, a fim de auxiliar os contribuintes na sua velhice, para que pudessem sobreviver com dignidade. No entanto, esse auxílio veio acompanhado pela violência financeira, a qual ocorre, principalmente, por familiares e entes próximos, além de golpes e contratos não autorizados, que são agravados pela vulnerabilidade própria dessa etapa de vida. Assim sendo, é inaceitável que essa situação perdure.
Nesse sentido, a violência financeira é definida como a exploração e posse indevida do dinheiro de um vulnerável, sendo ele sua aposentadoria, dinheiro de subsistência, reserva ou qualquer recurso monetário sem consentimento ou sem entendimento correto da situação. Essa condição é mais comum no ambiente familiar. A isso, pode-se relacionar as reflexões de Zygmunt Bauman sobre o individualismo, já que, com a posse desse dinheiro, responsável pela sobrevivência do indivíduo, o egoísmo dos filhos e netos para usar e acumular dinheiro, perdura em detrimento à atenção ao idoso, o qual, em muitos casos, passa necessidades alimentícias, de saúde, remédios e higiene. Assim, há uma exploração velada e individualista por parte dos parentes, que ao pensarem em si mesmos e nas suas futilidades, permitem que uma situação até mesmo desumana e insalubre ocorra.
Além disso, as fraudes e furtos também são recorrentes, visto que a maior parte dos idosos lidam sozinhos com suas finanças. Entretanto, não compreendem a linguagem bancária e ficam alheios à situação. Nesse contexto, Thomas Hobbes infere que conhecimento é poder e, de fato é, já que pela ignorância e ingenuidade, os golpes são facilitados. Desse modo, a falta de conhecimento e interpretação dos fatos permite a exploração, a coerção para que assinem contratos ininteligíveis e parcelas caras, por meio de empréstimos e financiamentos. Por conseguinte, as vítimas têm que conviver com dívidas exacerbadas sem seu consentimento efetivo, bem como com a extrema pobreza e sensação de indignação e impotência, tendo em vista que, apesar de assinar ou consentir, não compreendem a circunstância e suas implicações.
Portanto, para que essa situação não perdure, é necessário que o Ministério do Trabalho e Previdência desenvolva o projeto “Justiça e consciência financeira”, o qual consiste em duas ações principais. A primeira delas será a conscientização, por meio da preparação de palestras ministradas por economistas, de forma clara e objetiva, para que tenham a compreensão das suas finanças. Ademais, devem trabalhar na fiscalização de toda a movimentação bancária dos aposentados, a fim de que não sofram golpes. Dessa forma, a violência financeira será notoriamente minimizada e os idosos poderão usufruir dos frutos de sua contribuição ao longo da vida, com dignidade e justiça.