Violência financeira contra idosos

Enviada em 19/10/2021

No livro “Eichmann em Jerusalém”, escrito por Hannah, influente filósofa alemã, foi desenvolvido o conceito “banalidade do mal”, cuja idiossincrasia reside na substituição da normalidade pela calamidade. Assim, recontextualizando o pensamento arendtiano para os moldes da sociedade brasileira, note-se que a violência financeira contra os idosos é uma adversidade que se transmudou em banal. À vista disso, com o objetivo de revogar esse quadro deletério, urge a necessidade de analisar a gerência estatal e a conduta social.

Antes de tudo, é relevante abordar que o descaso do poder público na administração das cidades ocasiona uma antidemocracia do artigo 6 ° da Constituição Federal, o qual garante, entre outros direitos, o acesso à educação. Para entender tal apontamento, o livro “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda, é preciso considerar que a vida em áreas urbanas se desenvolveu de forma não planejada, com herança de uma sociedade oligárquica, e, assim, mostra que as virtudes da Carta Magna abrangem apenas os indivíduos mais abastados, não incluindo os idosos menos favorecidos, que, consequentemente, por terem acesso à educação financeira, são mais vulneráveis ​​à violência de cunho monetário. Dessa forma, observa-se a inoperância da lei maior, e a urgência de se resolver esse cenário, para que o bem-estar coletivo seja alcançado.

Paralelo a isso, ainda, é necessário ressaltar que a carência de participação social também contribui para a violência financeira contra os idosos. Na iminência de justificar tal observação, é válido relembrar o pensamento positivista, de Auguste Comte, no que se refere à sociedade como um organismo biológico desenvolvido pela coletividade. Sob esse viés, é nítido afirmar que pela falta de debates populares - com o intuito de evidenciar a problemática - mostra-se o forte individualismo presente na sociedade e o decaimento da comunidade, fomentando a banalização da hostilidade com a terceira idade, e, desse modo , sendo incoerente com o corpo social proposto por Comte.

Depreende-se, portanto, a relevância de amenizar o imbróglio, seguindo o pensamento de Karl Marx, filósofo alemão, quando diz que não basta pensar, é necessário agir. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação (MEC), em parceria com os municípios, deve corrigir os problemas estatal e social, por meio de aulas de educação financeira e debates quinzenais nas escolas, com a participação de alunos e responsáveis ​​- incluindo os idosos -, sendo viabilizado com a contratação de funcionários especializados, com a finalidade de transmitir o conhecimento do setor monetário e patentear os frutos das manifestações populares. Espera-se, com isso, a atenuação da temática maléfica e a revogação da “banalidade do mal”, tendo efeito, a médio e longo prazo, no Brasil.