Violência financeira contra idosos
Enviada em 20/10/2021
Parafraseando a filósofa Simone de Beauvoir, mais escandalosa que a existência de uma problemática é o fato de a sociedade se habituar a ela. Analogamente, observa-se essa inércia comportamental no que tange a violência financeira contra idosos, sobretudo devido à: o aproveitamento de vínculos afetivos e a vulnerabilidade desse grupo.São prementes pois, discussões acerca dos efeitos dessa tendência.
A princípio, cabe salientar para a exploração de vínculos afetivos como causa da agressão monetária contra a terceira idade. Nesse sentido, segundo o sociólogo Bordieau em seu conceito de violência simbólica,existe um tipo de violência que ocorre da cumplicidade implícita entre agressor e vitima.De forma correspondente, seja pela cobrança de bens ou pela coação para assinar orçamentos,muitos idosos acabam enquadrados em um caso de violência simbólica financeira com seus parentes.Isso porque,os familiares, ao utilizaram do vínculo afetivo para pedir favores ou impor condições ,forçam uma cumplicidade danosa para o lado dos mais velhos.Assim,mediante a violência familiar com a renda da terceira idade ocorre a quebra da liberdade financeira destes.
Outrossim, a utilização da vulnerabilidade pessoas acima de 60 anos para fins lucrativos é outro motor da barbárie financeira contra esse grupo. Nesse viés, segundo Durkheim o fato social é uma maneira de agir e pensar dotada de exterioridade, coercitividade e generalidade. De forma paralela, a mentalidade de que os cidadãos de idades mais avançadas devem dissipar sua renda, pois já estão no fim da vida, comporta-se como fato social patológico. Isso dado que, tal ideia possibilita,por exemplo, a prática de farmácias,que utilizam dessa chaga mental coletiva para “empurrar” medicamentos e produtos extras na hora do pagamento das compras de aposentados,prática que ficou conhecida como empurroterapia,e os funcionários que sucediam ganhavam lucro extra salarial.Logo,é notória como o mentalidade de vulnerabilidade remetida aos mais velhos sucede na naturalização de práticas antiéticas.
Portanto, a violência financeira contra idosos envolve o aproveitamento de vínculos afetivos e da vulnerabilidade desse grupo para fins lucrativos.Posto isso,cabe aos Orgãos Culturais ,a construção de campanhas por meios de propagandas informativas – as quais tragam exemplos de idosos que vivenciaram as práticas da violência financeira –sob o fito de respeitar a liberdade individual ,preconizada nas constituições,de todos os cidadãos principalmente dos mais velhos.