Violência financeira contra idosos

Enviada em 21/10/2021

O filme “Eu me Importo”, disponível na netflix, a protagonista da trama, Marla, é responsável por aplicar golpes financeiros em idosos, alegando a incapacidade de gerenciar seus bens, ela se dispõe a ajudá-los, porém utiliza de artifícios fraudulentos para usufruir dos bens dos anciões. Fora da ficção, essa violência financeira contra idosos é recorrente no território brasileiro. Nesse segmento, dois fatores não devem ser negligenciados: a ignorância dos idosos, principalmente com baixa renda, frente a assuntos financeiros e o egoísmo humano.

Primordialmente, a ignorância dos idosos frente a assuntos financeiros, principalmente aqueles que de baixa renda, está atrelado a analfabetização e ausência de conhecimentos básicos para interpretar os contratos financeiros. Tal afirmação é verificada devido ao problema de concentração de renda latente no Estado, já que a Constituição Cidadã que discrimina o direito a educação foi promulgada em 1988. Dessa forma, a atual população de idosos é reflexo de uma nação desigual em que o acesso a educação era privilegiado. Assim, é necessária uma ação estatal a fim de mitigar os fatos supracitados.

Ademais, o egoísmo humano corrobora na extorção de públicos de maior vulnerabilidade, entre eles, os idosos. Esse fato é citado por T. Hobbes, no livro “Leviatã”, no qual discorre sobre a natureza egoísta humana que é capaz de perversidades tendo objetivos pessoais. Dessa maneira, se os indivíduos tem objetivos de adquirir o fechamento de uma venda, por exemplo, e for necessário omitir ou ludibriar alguém que não tem total ciência do assunto o fará sem remorso. Tal fato se verifica na pesquisa realizada pela Central Judicial do Idoso, em 2007, na qual a violência financeira contra esse público figurava o principal abuso cometido. À vista disso, o Estado deve intervir para que o público citado não sofra com essa infração.

Destarte, a fim de que a inocência dos idosos não os tornem vulneráveis a golpes financeiros e o egoísmo humano não leve a extorção desse público, urge que o Poder Legislativo proteja esses indivíduos por meio de uma lei em que a a contratação de bens e serviços por pessoas de idade avançada e sem capacidade de interpretação não poderá ser realizada antes de uma análise em conjunto com seu tutor legal. Assim, as empresas não abusarão de suas funções e os contratos só serão assinalados diante de um entendimento real do consumidor. Dessa forma, obter-se-á uma nação em que os fatos ocorridos em “Eu me Importo” somente figurarão na ficção e os idosos estarão protegidos.