Violência financeira contra idosos
Enviada em 04/11/2021
A Constituição federal de 1988 assegura que todo cidadão tem direito à uma vida digna, na qual possa usufruir plenamente dos seus direitos. No entanto, no que se refere a parcela idosa da população, infere-se que tais direitos estão constatados apenas no papel, uma vez que os idosos sofrem com a questão da violência financeira, praticada pela própria família ou por instituições desonestas. Nesse sentido, cabe analisar as principais causas desse cenário: o silenciamento midiático e a negligência estatal.
Convém ressaltar, a princípio, o descaso da mídia como um desafio à resolução do problema. Isso tem como principal causa a postura capitalista das grandes emissoras de televisão e rádio, que preferem exibir programas de aumentam a audiência, e por consequência o lucro, como notícias sensacionalistas e notícias de fofocas sobre a vida de famosos, em vez de abordar sobre temas mais relevantes, como a questão da violência financeira e a importância de solucionar essa adversidade, uma vez que tal prática é comum na sociedade atual e impede que a vítima usufrua do direito à uma vida plena, já que uma das principais consequências desse problema é a contração de dívidas financeiras, que foram, posteriormente, feitas por terceiros, através do cartão de crédito do idoso, sem o consentimento do portador e para o seu uso individual. Sob esse viés, vale inserir o pensamento de Jürgen Habermas, o qual defende que a linguagem é uma verdaderia forma de ação. Com isso, a mídia, por não abordar sobre a temática, acaba por contribuir com a persistência da questão.
Além disso, outro ponto pertinente é o descaso governamental. Nessa perspectiva, o filósofo Jean Jacques Rousseu afirma que é dever do Estado assegurar todos os direitos fundamentais à vida. Entretanto, o país não assegura tais direitos, já que a ausência de um serviço social efetivo que ajude o indivíduo idoso a administrar os seus bens, como a disponibilização de visitas constantes de profissionais da área da economia para fazer um “check-up” das posses do idoso, impede que ele goze dos direitos à saúde, ao lazer e à alimentação, haja vista que os problemas financeiros que ele adquiriu ao ter sido violado financeiramente dificulta que ele tenha o acesso à tais direitos.
Em virtude do que foi mencionado, medidas devem ser tomadas. É fundamental, portanto, que os programas televisivos de maior audiência abordem sobre a questão da violência financeira contra os idosos, em horário nobre. Tal abordagem deve ser feita por meio da exibição de vídeos curtos e didáticos sobre o assunto, sobre a identificação da violência e um guia para solucionar o problema, a fim de que a parcela idosa da população fique mais ciente dessa modalidade de violência e possa buscar ajuda de terceiros caso haja alguma suspeita de violação.