Violência financeira contra idosos
Enviada em 23/10/2021
Consoante Émile Durkheim, sociólogo francês, a sociedade, assim como um corpo biológico, é composta por partes que interagem mutuamente e cujo bom funcionamento é fulcral à saúde do todo. Seguindo a lógica durkheimiana, fica claro que a violência financeira contra idosos no Brasil ultraja a manutenção da coesão social, dado que compromete o modo de vida desse setor que, muitas vezes, tem na sua aposentadoria a única fonte de renda. Em síntese, esse cenário é fruto da insciência popular acerca dessa temática, sendo, ainda, agravado pela desídia do governo na sua resolução.
Primordialmente, é profícuo destacar que a desinformação com relação à ocorrência de golpes contra idosos intensifica esse impasse. De certo, a secundarização da disseminação de informações sobre o modo como os criminosos agem e meios de prevenção desse crime acaba por relativizar essa problemática na sociedade. Nessa perspectiva, o filósofo Jünger Habermas ressalta a linguagem com transformadora dos aspectos sociais do mundo. Sob tal ótica, depreende-se que a ignorância no que concerne à importância ao combate desse crime para resguardar os idosos e impedir que se tornem potenciais vítimas, expõe a população a esse mal. Assim, torna-se medular pôr em prática o discurso de Habermas.
Faz-se mister, ademais, salientar a imperícia estatal como impulsionadora do problema. Nesse sentido, o artigo 6 da Carta Magna de 1988 inclui como démarche do Estado o direito à segurança. Conquanto, os dados da Central Judicial do Idoso de Brasília apontam que a violência financeira representa cerca de um terço das formas de perturbação ao idoso. Portanto, fica demonstrado que as garantias governamentais se restringem à legislação e, por conseguinte, o idoso — já fragilizado pela idade — encontra-se submetido ao risco de ter sua vida monetária afligida. Logo, o pragmatismo das leis mostra-se elementar à mitigação desse problema.
Frente a tal óbice, urge, pois, que o Ministério Público utilize o poder midiático de propagação de informações para, por intermédio, de campanhas publicitárias no rádio, na TV e na internet, propagar conhecimentos no que diz respeito às formas de ação dos bandidos e sobre maneiras de precaução. Destarte, pode-se instruir a população com relação à auto prevenção e coibir a ocorrência de novos casos. Por esse meio, suscita-se que a sociedade, de fato, funcione como o “corpo biológico” de Durkheim.