Violência financeira contra idosos
Enviada em 23/10/2021
A novela “Mulheres Apaixonadas”, exibida em 2003 pela Rede Globo, apresenta Dóris, uma jovem que maltrata seus avós, por meio, não só de agressões físicas e verbais, mas também de furtos dos pertences e do dinheiro dos “velhinhos”. Fora da ficção, a trama retrata a realidade de incontáveis idosos brasileiros, vítimas da violência financeira, em razão da banalização da vida dos mais velhos e da falta de informação sobre a segurança financial. São prementes, pois, estratégias para mitigar os ataques monetários à população idosa.
É coerente ressaltar, em primeira instância, a desvalorização da vida dos idosos como alicerce para a violência financeira. Nesse sentido, o Senado Romano era um conselho de anciões, pois os mais velhos eram considerados referências de experiência e de conhecimento. Em contrapartida, a sociedade contemporânea banaliza a importância que a terceira idade possui, fato que os coloca em vulnerabilidade a sofrer ataques monetários. Diante disso, sem o acompanhamento de pessoas de confiança, muitos da população envelhecida ficam suscetíveis a golpes bancários e de parentes mal intencionados, como mediante assinaturas de procurações ou de créditos consignados. A trivialização da “melhor idade”, assim, fomenta a vulnerabilidade à violência financial.
Em segunda análise, vale destacar que a falta de informação sobre a segurança monetária colabora para o aumento da agressão financeira aos idosos. Nesse viés, de acordo com o filósofo francês Pierre Bourdieu, a violência simbólica ocorre quando a vítima, por vezes, não reconhece que está sofrendo uma violência. Analogamente, em virtude da escassez de orientações para evitar cair em golpes e de conhecimento para utilizar o meio digital, muitos da terceira idade não percebem os ataques dos quais são vítimas. Com isso, ao não identificar os furtos, os danos tendem a ser avassaladores e irreversíveis. Logo, é inegável que a carência de saberes acerca da proteção financeira torna os idosos mais propícios a serem alvos de ataques.
Infere-se, portanto, que a violência financeira contra os idosos ocorre pela banalização da vida dos mais velhos e pela falta de informação sobre a segurança monetária. Desse modo, é imperioso que o Ministério da Cidadania promova seminários educativos, em suas plataformas digitais, mediante mesas redondas e palestras, com economistas e pedagogos, acerca de elucidações sobre possíveis golpes contra a terceira idade e de orientações para autoproteção, com o fito de assegurar que os idosos possam garantir a sua integridade e dignidade financeiras. Dessa maneira, as agressões retratadas em “Mulheres Apaixonadas” poderão ser mitigadas e os idosos, mais respeitados.