Violência financeira contra idosos
Enviada em 23/10/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos garante o direito universal a propriedade privada. Contudo, essa não é a realidade vivida por parcela da população de idosos no Brasil, que é acometida por violências financeiras tal como apropriação de suas aposentadorias ou patrimônios – fato esse que coloca em risco tal direito. Nessa perspectiva, essa problemática é causada pela ineficiência regulatória do Estado atrelado a falta de empatia nas relações sociais na contemporaneidade.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que a violência financeira contra os idosos é ocasionada, principalmente, devido a negligência estatal perante esse problema. Nesse sentido, o político Otto von Bismark demonstra que o estado de bem-estar social é de suma importância para o pleno desenvolvimento da nação, cenário no qual o Estado é responsável por garantir o básico para o bom funcionamento da sociedade – tanto no âmbito político, quanto no social. Sob essa ótica, faz-se claro que a violência financeira contra idosos ameaça a segurança e qualidade de vida desse grupo, de modo que, segundo Bismark, esta questão deve ser combatida pelo governo.
Ademais, a violência financeira contra idosos é resultado direto de uma sociedade menos empática. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a expansão do capitalismo ocasiona o estabelecimento da solidariedade orgânica, na qual os indivíduos, em vista da maior divisão do trabalho, possuem menor coesão e consciência coletiva – fator esse que impacta diretamente em sua habilidade de exercer a alteridade. Dessa maneira, ao levar em conta que a violência financeira contra idosos consiste da relação de aproveitamento perante grupos vulnerabilizados, evidencia-se que tal agressão é produto da falta de empatia estrutural que acomete sociedades modernas.
Assim, em virtude dos argumentos supracitados, é nítido que o problema da violência financeira contra idosos exige intervenção. Para isso, urge que o governo federal, em parceira de ONGs, articule projetos públicos de defesa dos direitos da terceira idade que, por meio de eventos de conscientização com palestras – aliados também a atuação de advogados voluntários, visem facilitar a identificação e denúncia de tais crimes. Espera-se que com essas medidas, o Brasil possa caminhar em direção à construção de uma sociedade mais justa e pautada na defesa do estado de bem-estar social tal como proposto por Birmask.