Violência financeira contra idosos
Enviada em 24/10/2021
O escritor Stefan Zweig, ao escrever a obra ‘‘Brasil, País do Futuro’’, descreveu uma nação organizada e promissora. Entretanto, a visão otimista desse grande autor a respeito da realidade brasileira revela-se distante de se concretizar, uma vez que a problemática da violência financeira contra os idosos ainda é um dos grandes males não superados na hodiernidade. Diante desse cenário aflitivo, faz-se urgente analisar a omissão do binômio Estado e sociedade para desconstruir de vez essa grave mazela social.
Antes de tudo, é válido afirmar que a negligência da arena pública corrobora a formação de um corpo social marcado pelas desigualdades econômicas e por abusos financeiros vividos por uma parte dos idosos. A esse respeito, o filósofo iluminista Rousseau, em sua obra’’ O Contrato Social’’, afirmou que é dever do Estado garantir, de forma justa e igual, liberdade e segurança a todos os cidadãos para que o equilíbrio seja instaurado na sociedade. Porém, sua teoria contratualista mostra-se invalidada, visto que o poder público, instituição responsável por garantir o bem-estar social, encontra dificuldades em adotar medidas efetivas - fiscalização e conscientização- capazes de combater, definitivamente, a violência financeira sofrida por alguns idosos. Tal ineficiência estatal não somente estimula as dificuldades socioeconômicas vividas por uma parcela da população idosa, mas também colabora, por cosequência, com a sensação de angústia e de desespero ocasionados pelo abandono social, que não raramente finda o suicídio do indivíduo. Dessa forma, torna-se crucial mitigar esse flagelo.
Além disso, destaca-se a inércia social como agravante do problema. Já dizia o filósofo Immanuel Kant que é necessário o homem alcançar o esclarecimento para sair da condição de menoridade e pequenez. Contudo, o pensamento kantiano mostra-se, lamentavelmente, contrariado, tendo em vista que uma parte da sociedade neoliberal, ao assumir uma postura omissa frente ao descaso financeiro sofrido por uma parcela dos idosos, parece estar satisfeita com essa situação de mediocridade descrita por Kant. Essa naturalização observada na contexto contemporâneo representa uma grave afronta à dignidade dos idosos e à Constiuição Cidadã. Desse modo, faz-se essencial eliminar esse problema para que casos, como o que ocorreu com a aposentada Maria da Rosa - publicado pelo Estadão- que adquiriu inúmeras dívidas sem seu próprio consentimento, não vire regra no espaço social.
Fica clara, portanto, a necessidade de adoção de medidas para conter essa problemática. Nesse ínterim, cabe ao Estado garantir os direitos dos idosos por meio de uma rigorosa aplicação das leis com multas e prisões para quem as desrespeitar. Ademais, é necessário que o Ministério da Cidadania desenvolva palestras e debates acerca do assunto, preferencialmente em horários noturnos e nas redes sociais, por meio de profissionais capacitados, a fim de combater essa violência sofrida pelos idosos.