Violência financeira contra idosos
Enviada em 25/10/2021
No filme “Eu me importo”, Maria Grayson, a personagem principal, é uma curadora com o trabalho de enganar idosos para receber seus patrimônios por meio de falsas ações judiciais. Fora da ficção, pode-se inferir que a realidade brasileira assemelha-se ao descrito, visto que a violência financeira é uma problemática gravíssima na contemporaneidade. Dito isso, os agravantes do óbice em questão são o silenciamento da sociedade como um todo perante a essa prática, e a ineficiência estatal em garantir os direitos de saúde fiscal - situação cuja sua esfera monetária se encontra primorosa -. Assim sendo, conclui-se que o o panorama descrito é certamente desagregador para a coletividade e, por conseguinte, sua mitigação tem um caráter imperioso.
Primariamente, faz-se oportuno ressaltar a carência de debate sobre o assunto da apropriação ilegal do patrimônio dos idosos como um fator dificultante à harmonia nesse viés. Posto isto, é válido citar uma frase da filósofa existencialista Simone de Beauvouir, na qual ela diz que “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Sob essa ótica, é possível afirmar que o comodismo, o fato de faltar divulgação sobre o problema, causa uma ignorância geral na população, e, por conseguinte, perpetua a manutenção desses golpes contra as finanças dos idosos.
Ademais, é preciso salientar a negligência governamental no que concerne aos direitos da esfera do dinheiro da terceira idade, pois mesmo sendo previsto no Estatuto do Idoso o crime de extorsão financeira, conforme um levantamento feito pelo TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios), os casos de violência contra a pessoa idosa mais comuns são os de violência financeira. Sendo assim, verifica-se que esse aspecto da sociedade apenas confirma os dizeres de Dante Alighieri em sua obra “A Divina Comédia”, “As leis existem, mas quem as aplica?”, destacando, assim, a ineficiência do Estado nesse quesito e a necessidade gritante de atenuação desse imbróglio.
Portanto, caminhos devem ser elucidados para que os flagelos tangentes à violência financeira contra os idosos no Brasil sejam minorados. Destarte, é necessário que o Ministério das Comunicações, em parceria com as principais potências televisivas do território verde-amarelo, desenvolvam propagandas dinâmicas que consistam em um meio para a democratização da informação sobre a hostilidade monetária como um todo e seus meios de denúncia, para que resolva-se o problema. Outrossim, é conveniente que haja a criação, pelo Poder Legislativo, de um projeto de lei que englobe o aumento da fiscalização sobre as violações aos direitos dos idosos, além da garantia da austerização das punições legais correspondentes aos crimes abordados, a fim de que o suplício em questão seja mitigado e de que casos como os de Grayson sejam mais difíceis de acontecer no corpo social do país.