Violência financeira contra idosos
Enviada em 25/10/2021
O filme “Eu Me Importo”, disponível na plataforma da Netflix, retrata uma empresa de cuidados ao idoso que, por meio de discurso dissimulado, induz os mais velhos a acreditarem que são incapazes de viverem com autonomia e, nesse processo, têm acesso a todos os bens do idoso e controlam os seus gastos e ganhos. Análoga a ficção, muitos brasileiros de idade avançada sofrem, ou já sofreram, algum tipo de violência financeira, tanto pela falta de incentivo à denúncia e fiscalização, quanto pela falta de informação acessível.
Em primeiro lugar, crimes cometidos por familiares ou pessoas em que o idoso deposita confiança, são frequentes e pouco notados. Isso porque, a velhice na sociedade contemporânea é vista como decadência intelectual e física e, consequentemente, os mais jovens tendem a considerarem os idosos inaptos para tomarem decisões racionais sobre o controle de suas finanças. Ainda que esse controle financeiro sem o consentimento do idoso seja crime previsto no Estatuto do Idoso, são poucas as denúncias realizadas e as pessoas responsabilizadas criminalmente.
Em segundo lugar, as informacões disponíveis para os mais velhos são insuficientes. Muitas vezes, eles acreditam no que lhes é dito porque não tem acesso a informação com linguagem compreensível, principalmente a respeito de suas instituições bancárias. Dessa forma, é gerado um aumento da vulnerabilidade dos idosos, e eles se tornam alvos mais fáceis para a realização de golpes e roubos.
Portanto, medidas devem ser tomadas. É necessário que haja uma colaboração do Ministério Público e dos canais midiáticos, para a criação de campanhas publicitárias, por meio de canais televisivos e de redes sociais, para que informações de fácil entendimento e acesso sejam disponibilizadas e para que a denúncia seja incentivada, como o disque 100 de Direitos Humanos. Assim, a violência financeira contra os idosos será diminuida no Brasil.