Violência financeira contra idosos

Enviada em 30/10/2021

A velhice. Caminho inevitável, e se evitável trágico. Só nos resta a morte como fulga do momento senil, já que a imortalidade e a juventude pertencem aos deuses e não está disponível nas vitrines para nosso consumo. Não para nós meros mortais.

Hoje, na contemporaneidade, é tudo rápido, veloz, ágil, logo efêmero, transitório, novo, passageiro, descartável. Nascemos obsoletos e consumimos consumidos sem tempo para parar  Não há espaço para o antigo, o velho, o fora de moda.  Antes de mais nada, como consumidores vorazes queremos andar atualizados a kilômetros por hora, um dowload por segundo.

Antes da moda de ser moderno a condição de  velhice conferia respeito ao afortunado que conseguisse chegar a ela, no entanto, hoje todos a temem, porém, ironicamente não há nada mais moderno do que envelhecer. O mundo envelhece, o país envelhece mas esqueçe seus pais.

Uma vez que, culturalmente, não respeitamos a condição de velhice é natural que haja abusos por parte de diversos agentes da soiciedade. O mundo digital não inclusivo também favorece tal cenário, que agravado pelo conjuntura sócio cultural de um país pobre como o Brasil, se acentua nas periferias, assolando a camada envelhecida e marginalizada.

Familiares que se aproveitam da fragilidade de seus idosos para poderem tirar proveito financeiro, instituições financeiras sedentas de lucros fáceis em créditos conseguinados, contratados com velhinhos “ingênuos” representam os ethos social de uma sociedade que não valoriza o envelhecer.  Para que possamos solucionar essa mazela a longo prazo devemos mudar os presupostos de nossa sociedade, tornando-a mais empática ao valor ficarmos velhos e no curto prazo temos de adotar medidas inclusivas, educativas e disciplinares que possam facilitar a defesa dos idosos e a vigília por parte do estado e dos cidadões conscientes da necessidade de respeito ao direito de envelhecer.