Violência financeira contra idosos

Enviada em 12/11/2021

A Constituição Federal de 1988 é um documento que visa garantir um corpo social justo e uma vivência digna a todos os sujeitos presentes em território brasileiro. No entanto, mesmo diante da existência desse conjunto de leis, a violência financeira contra os idosos ainda persiste no Brasil, o que demonstra a limitação deste código legal e a necessidade de se combater essa problemática. Nesse sentido, esse cenário antagônico é fruto tanto da indiferença familiar quanto da falta de ensino direcionada ao público da terceira idade.

Em primeira análise, vale destacar que o pouco convívio familiar colabora com a violência financeira contra idosos. Nessa perspectiva, o filme “Eu me Importo”, retrata a protagonista, uma guardiã legal, que se aproveita de sua profissão e do distanciamento familiar para roubar aqueles que estão sob sua custódia. Sob essa ótica, pode-se constatar que a pouca interação da família com os idosos gera uma comunicação insuficiente. Essa carência de diálogo dificulta a fiscalização do trabalho dos cuidadores e possibilita que eles roubem os bens dos indivíduos da terceira idade. Dessa maneira, fica claro como a população facilita a ação de pessoas mal-intencionadas ao não participar de forma ativa e direta na vida das pessoas mais velhas.

Além disso, é importante ressaltar que a falta de incentivo ao ensino para o público mais velho é um fator importante na persistência da violência financeira contra os idosos. No filme “Despedida em Grande Estilo”, somos apresentados a três senhores que planejam um assalto depois de descobrirem que perderam sua aposentadoria após a empresa em que trabalhavam ser vendida. Desse ponto de vista, nota-se que a falta de conhecimento dos mais velhos sobre o mercado financeiro e o mundo tecnológico permite que eles sejam ludibriados. Com o avanço da tecnologia, golpes no meio digital estão cada vez mais comuns e os idosos são um alvo fácil, visto que o ensino relacionado ao uso da tecnologia destinado a essa faixa etária é pouco valorizado. Assim sendo, fica claro que a falta de ensino direcionado aos idosos faz com que eles fiquem vulneráveis a esse tipo de delito.

Portanto, percebe-se que a indiferença familiar e as desconsideração com o ensino para a terceira idade propicia a continuidade da violência financeira contra os mais velhos. Nessa lógica, é imperativo que o Ministério da Educação - órgão responsável pelo sistema de ensino no Brasil - crie projetos educacionais destinado ao público mais velho, por meio de verbas governamentais destinadas a pasta, com o intuito de proporcionar informação para essa faixa etária sobre assuntos variados, como por exemplo internet, tecnologia e economia. Feito isso, é possível mitigar a violência financeira contra os idosos e assegurar os direitos previstos pela Carta Magna de 1988.