Violência financeira contra idosos

Enviada em 04/11/2021

“Eu me importo” - filme de suspense estadunidense de 2020 - conta a história de Marla Grayson, uma golpista que ganha a vida convencendo o sistema legal a conceder a sua tutela aos idosos incapazes de cuidar de si mesmos. A mesma vende as casas das vítimas e outros bens e fica com o lucro, entretanto, se vê em apuros ao perceber que seu último alvo tem ligações com um poderoso gângster. Fora do mundo cinematográfico, esse crime é uma realidade, indivíduos e familiares que se aproveitam da facilidade de acesso para se apropriar ou desviar os bens dos idosos. Atitudes essas, que devem ser solucionadas pelas autoridades vigentes.

Precipuamente, vale ressaltar que o Estatuto do Idoso prevê como crime a conduta de receber ou desviar bens, dinheiro ou benefícios de idosos, com pena de um a quatro anos de reclusão e multa. Entretanto, dados do Disque 100 apontam que no primeiro semestre de 2021 foram registradas mais de 33,6 mil denúncias de violação de direito dos idosos, sendo 83% praticada dentro de casa. Os idosos são a segunda parcela da população mais vulnerável a violência, sendo a financeira a terceira maior do Brasil, atrás da psicológica e abandono dos cuidados.

Outro ponto a ser ressaltado são as formas de exploração financeira contra os idosos. Segundo os especialistas, o perfil da família que comete esse tipo de atrocidade é marcado por uma instabilidade financeira, justamente por não possuir um emprego fixo e muito menos responsabilidade em relação ao sênior. Assim sendo, filhos e netos recorrem a empréstimos e adquirem dívidas em nome da vítima, além da mesma sofrer golpes com os empréstimos consignados por não ler os detalhes da contratação. Ou seja, a vulnerabilidade dos cidadãos da terceira idade é imensa e merece um cuidado e uma atenção especial.

Medidas, portanto, devem ser tomadas para resolver esse impasse. Primeiramente, deve-se ter em mente que o envelhecimento não é sinônimo de perda da autonomia. Assim sendo, vê-se necessário que o Ministério Público aumente a fiscalização e divulgue ainda mais os canais de denúncia para os idosos, como o Conselho Municipal do Idoso, a Defensoria Pública, entre outros. Somado a isso, o Ministério da Educação poderia investir em projetos de educação financeira específicos à terceira idade, no intuito de mantê-los informados quanto aos próprios rendimentos e saber tomar as decisões necessárias.